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Seria a mítica Terra Plana um Elevador de Einstein?

Olá professor tudo bem? Espero que sim! Minha dúvida é a seguinte. Se imaginarmos a terra sendo plana e acelerada (valor de 9,81m/s2) na direção perpendicular ao plano que contém sua superfície. Se imaginarmos neste cenário a queda de um corpo partindo do repouso no referencial da Terra Plana, o tempo de queda deste corpo seria influenciado pela velocidade do referencial terra plana no instante da queda?

E poderia esta suposição de que inexiste a gravidade na Terra Plana e que ela é um sistema de referência acelerado a  9,81m/s2, justificar a aceleração de queda dos corpos?

 

Respondido por: Prof. Fernando Lang da Silveira - www.if.ufrgs.br/~lang/

O estapafúrdio pacote de bobagens para explicar a Terra Plana inclui a afirmação de que, além da gravidade não existir, a aceleração de queda livre poderia ser consequente de um efeito não-inercial  devido  a estar o mundo mitológico chato acelerado a 9,81m/s2.

Antes apresentar as razões pelas quais é impossível se justificar em toda a Terra a existência da aceleração da gravidade desta forma, discutirei o seguinte questionamento: Se imaginarmos neste cenário a queda de um corpo partindo do repouso no referencial da terra plana, o  tempo de queda deste corpo seria influenciado pela velocidade do referencial terra plana no instante da queda?

Se imaginarmos um experimento no Elevador de Einstein, isto é, em um elevador em uma região do espaço onde não existe campo gravitacional e que se encontra acelerado a 9,81m/s2 em relação a um sistema inercial externo a ele,  um objeto apresentará no sistema de referência do elevador, quando abandonado, uma aceleração de queda livre de 9,81m/s2. A velocidade que o elevador tem no sistema de referência externo e inercial no momento inicial da queda, não afetará a queda do corpo em relação ao elevador pois pois esta velocidade o corpo possui também. Vide a propósito dessa discussão a postagem Debate com o professor – Cinemática no elevador.

As razões para que não seja possível explicar as acelerações de queda livre no mundo mitológico chato  pela hipótese de que a Terra Plana é um Elevador de Einstein são diversas. Uma delas diz respeito às orientações e aos valores do vetor aceleração da gravidade em pontos diversos da superfície do planeta: em um Elevador de Einstein a aceleração de queda livre tem a mesma orientação e valor em todos os pontos internos ao elevador.

Na Terra a orientação do vetor aceleração da gravidade muda ao longo da superfície da planeta, inclusive devido às distribuições das massas próximas ao local de observação conforme predito e medido no célebre “Experimento da montanha de Schiehallion” em 1774 (a Figura 2 é uma representação esquemática da deflexão lateral do fio de prumo na imediações da montanha). O fio de prumo se alinha em acordo com a direção do vetor aceleração da gravidade no local da observação e no caso do “Experimento de Schiehallion” foi medida  uma deflexão do fio de prumo em relação ao zênite verdadeiro de 11,6 segundos de arco, corroborando mais uma vez a Lei de Gravitação Universal de Newton.

O valor da aceleração da gravidade é diferente em diferentes latitudes (vide Fórmula Internacional da Gravidade). Por exemplo no equador a aceleração da gravidade é 9,78m/s2 e nos polos 9,83m/s2. O conhecido valor padrão de 9,81m/s2 é válido em Paris e aqui em Porto Alegre é 9,79m/s2. Portanto na mítica Terra Plana, imaginando-a como um grande elevador acelerado, não há com dar conta de que a aceleração de queda livre é variável tanto em orientação quanto em valor em diferentes locais do mundo mitológico chato.

“Docendo discimus.” (Sêneca)

 


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