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Comprimento de onda da cor magenta?

Não encontro o magenta no espectro da luz branca, mas cores do arco-íris. Qual é o comprimento de onda da cor magenta?

Respondido por: Prof. Fernando Lang da Silveira - www.if.ufrgs.br/~lang/

O magenta é uma cor extra espectral, ou seja, não pode ser encontrada na decomposição da luz branca. Em outras palavras, ela não pode ser vista no arco-íris por exemplo. E não apenas o magenta mas também muitas outras como por exemplo o cinza, o verde-limão, o rosa, o marrom, ….

Quando os sensores na retina de humanos “normais” recebem luz vermelha e luz azul  a percepção de magenta ocorre. A Figura 1 representa o processo de adição das três cores fundamentais que dá origem ao sistema RGB. Conforme descobriu no final do século XVIII  Thomas Young  todas percepções coloridas humanas são consequentes da superposição de três cores: Red (vermelho), Green (verde) e Blue (azul). Esta descoberta foi aprofundada décadas depois, meados do século XIX, por Herman von Helmholtz que chegou a postular “três nervos receptores na retina”, um para cada cor. Posteriormente foram encontrados na retina os três células denominadas de cones, receptoras de luz que estão no início do processo de percepção colorida humana.

Portanto, o magenta envolve objetivamente duas frequências luminosas diferentes, não podendo ser encontrado em um particular local do espectro da luz branca ou no arco-íris.

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4 comentários em “Comprimento de onda da cor magenta?

  1. Boa noite, professor Lang. Se me permite uma pequena contribuição para o assunto, gostaria de compartilhar o link com minha dissertação de mestrado que trata do fenômeno cor e indicar, neste caso, mais especificamente, o capítulo 5 que fala sobre as sínteses aditiva e subtrativa:
    A PERCEPÇÃO DA COR –ABORDAGENS DIDÁTICAS PARA O ENSINO
    Parabéns pelo trabalho aqui desenvolvido! Um forte abraço!

  2. Carlos Wigderowitz disse:

    Fernando Lang da Silveira ainda existe um complicador adicional que é a transferência para comprimentos de onda dos nomes das cores no nível da linguística. Cinza é a percepção que temos do branco com intensidade reduzida , o grey scale é simplesmente a matriz RGB em que os valores são idênticos. Certas cores tem variações ( que representam diferentes misturas espectrais) no que se refere à percepção e compreensão, mais famosa talvez a história do Azul ! Por outro lado, algumas tribos indígenas tem uma diferenciação muito diferente da nossa para os verdes 😜

    The Color Blue: History, Science, Facts

  3. Tadeu Souza disse:

    Na verdade, Prezado Prof. Fernando, o magenta TAMBÉM pode ser PERCEBIDO em apenas um comprimento de onda, quando o verde é projetado em uma sombra. Para quem não conhece o fenômeno, é olhar o link abaixo (min 7). Neste exemplo, é o verde que é a “ilusão”. Mas se a luz do holofote fosse verde, seria o magenta, pois são cores complementares. Como dizia Goethe, “o magenta é uma cor das sombras”.

    O parágrafo “Portanto, o magenta envolve objetivamente duas frequências luminosas diferentes, não podendo ser encontrado em um particular local do espectro da luz branca ou no arco-íris.” não é integralmente correto.

    Prof. Tadeu Mello e Souza, Depto. Bioquímica, UFRGS

    National Geographic: Test Your Brain Episode 2 – Perception

  4. Tadeu Souza disse:

    Prezado Carlos Wigderowitz ,

    não nomear o azul não significa não percebê-lo e discriminá-lo de outros qualia que são nomeados da mesma forma, seja qual for a língua, existente ou extinta. Quando verificamos diferentes tons de vermelho, podemos distingui-los apesar de nomeá-los da mesma forma (claro, facilita se os colocarmos lado-a-lado – por sinal, as mulheres veem mais tons do que os homens). Nossos ancestrais deviam distinguir claramente uma nuvem do céu azul, inclusive deviam fazê-lo para prever uma chuva chegando… imagina a virtude que isto seria para um marinheiro da Antiga Grécia, ou a tragédia, se não fosse capaz. Por sinal, se há uma cor abundante em nossa percepção é o azul, já que o pigmento que o absorve é bem distante dos outros dois que utilizamos em nossos cones.

    As perguntas que fazem com tribos que categorizam as cores de forma diferente moldam o experimento. Logo, certas conclusões podem surgir de artefatos metodológicos. Certamente, ao categorizar diferente de nós, a atenção é moldada, a percepção pode ser alterada, conforme o contexto. Basta ver o filme cujo link postei em meu comentário anterior. A linguagem influencia, mas não a ponto de dizer que não havia a percepção do azul em si.

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