INVESTIGANDO A SIGNIFICAÇÃO DE PROBLEMAS EM SEQUÊNCIAS DE ENSINO INVESTIGATIVA

Ana Paula Solino, Lúcia Helena Sasseron

Resumo


Pesquisadores da área de ensino de ciências têm defendido o uso de problemas em atividades didático-pedagógicas como um elemento importante para a formação do pensamento científico dos estudantes, porém, poucos têm procurado estudar especificamente o processo de significação de problemas. Sendo assim, com o intuito de investigar teoricamente a significação de problemas em propostas que envolvem o Ensino por Investigação, buscou-se algumas contribuições da perspectiva histórico-cultural, sobretudo os estudos de Vygotsky, para analisar a natureza do problema, seu papel e função na estruturação e implementação de Sequências de Ensino Investigativas (SEI) e suas relações com os elementos significadores vygotskyanos. Observou-se que a noção de problema se encontra situada na perspectiva da Alfabetização Científica e, que, no contexto da SEI, esses problemas se apresentam de duas formas distintas, porém complementares: problemas didáticos e novos problemas. Identificou-se que os problemas didáticos assumem funções diferentes na estruturação e no desenvolvimento de uma SEI e que as problematizações realizadas em torno do mesmo propiciam o surgimento de novos problemas mediadores. Argumenta-se a favor de que esses novos problemas podem potencializar o processo de significação em aulas investigativas, a partir das suas relações com os elementos significadores de Vygotsky, tornando-se Potenciais Problemas Significadores.


Palavras-chave


Significação; Problema; Ensino por Investigação; Vygotsky

Texto completo:

PDF

Referências


Aguiar, Jr, O. G., & Mortimer, E. F. (2005). Tomada de consciência de conflitos: análise da atividade discursiva em uma aula de ciências. Investigações em Ensino de Ciências, 10(2), 179-207.

Azevedo, M. C. P. S. (2004). Ensino de Ciências por Investigação: problematizando as atividades de sala de aula. In Carvalho, A. M. P. (Org.) Unindo a Pesquisa e a Prática (p 19-33). São Paulo: Editora Thomson.

Azevedo, M. N. (2013). Mediação discursiva em aulas de ciências, motivos e sentidos no desenvolvimento profissional docente. (Tese de Doutorado em Educação), Universidade de São Paulo, São Paulo/SP.

Barbosa-Lima, M. C., & Carvalho, A. M. P. (2002). Comprovando a necessidade dos problemas. In Atas do VIII Encontro de Pesquisa em Ensino de Física – SP. (pp. 1-15). Lindóia, SP, Brasil. Recuperado de http://www.sbf1.sbfisica.org.br/eventos/epef/viii/PDFs/COCD4_2.pdf

Barrelo Júnior, N. (2010). Argumentação no discurso oral e escrito de alunos do ensino médio em uma sequência didática de física moderna. (Dissertação de Mestrado em Ensino de Ciências). Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo/SP.

Berland, L. K., & Hammer, D. (2012). Framing for scientific argumentation. Journal of Research in Science Teaching, 49(1), 68-94.

Borges, A. T. (2002). Novos rumos para o laboratório escolar de ciências. Caderno Brasileiro de Ensino de Física,19(3), 291-313. Recuperado de https://periodicos.ufsc.br/index.php/fisica/article/view/6607/6099

Capecchi, M. C. V. M. (2004). Aspectos da cultura cientifica em atividades de experimentação nas aulas de Física. (Tese de Doutorado em Educação), Universidade de São Paulo, São Paulo/SP.

Capecchi, M. C. V. M. (2013). Problematização no Ensino de Ciências. In Carvalho, A. M. P. (orgs). Ensino de Ciências por Investigação: condições para implementação em sala de aula (p. 21-40), São Paulo: Cengage Learning.

Capecchi, M. C. V. M., & Carvalho, A. M. P. (2006). Atividade de laboratório como instrumento para a abordagem de aspectos da cultura científica em sala de aula. Pro-Posições, 17(1) (49), 137-153. Recuperado de https://www.fe.unicamp.br/pf-fe/publicacao/2350/49_dossie_capecchimcvm_etal.pdf

Carvalho, A. M. P., Santos, E. I., Azevedo, M. C. P. S., Date, M. P. S., Fujii, S. R. S., & Nascimento, V. B. (2014). Calor e Temperatura: um ensino por investigação. São Paulo: Editora Livraria da Física.

Carvalho, A. M. P. (2011). Ensino e aprendizagem de ciências: referenciais teóricos e dados empíricos das sequências de ensino investigativo (SEI). In Longhini, M. D. (org). O uno e o diverso na educação (p. 253-266). Uberlândia, MG: EDUFU.

Carvalho, A. M. P. (2013). O ensino de ciências e a proposição de sequencias de ensino investigativas. In Carvalho, A. M. P. (orgs.) Ensino de Ciências por investigação: condições para implementação em sala de aula (p.1-20), São Paulo: Cengage Learning.

Carvalho, A. M. P., Oliveira, C., Sasseron, L. H., Sedano, L., & Batistoni, M. (2011). Investigar e Aprender ciências (coleção). 4º ano. São Paulo: Sarandi.

Carvalho, A. M. P. (2006). Las prácticas experimentales en el proceso de enculturación científica. In Quintanilla, M., & Adúriz-Bravo, A. (Orgs.). Enseñar ciencias en el nuevo milenio: retos y propuestas. v.1. (pp. 73-90). Santiago, Chile: Ediciones Universidad Católica do Chile.

Clement, L. (2013). Autodeterminação e ensino por investigação: construindo elementos para a promoção da autonomia em aulas de física. (Tese de Doutorado), Programa de Pós Graduação em Educação Científica e Tecnológica, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis/SC.

Ferraz, A. T. (2015). Propósitos epistêmicos para a promoção da argumentação em aulas investigativas de física. (Dissertação de Mestrado em Ensino de Física), Programa Interunidades de Ensino de Ciências, USP, Faculdade de Educação, Instituto de Física, Instituto de Química, Instituto de Biologia, Universidade de São Paulo, São Paulo/SP.

Freiberg, H. L. (2015). Elementos catalisadores para a promoção da negociação de sentidos. (Dissertação de Mestrado em Educação). Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo/SP.

Gehlen, S. T. (2009). A função do problema no processo de ensino aprendizagem de Ciências: Contribuições de Freire e Vygotsky. (Tese de Doutorado). Programa de Pós-Graduação em Educação Científica e Tecnológica,. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis/SC.

Gehlen, S. T., & Delizoicov, D. (2012). A dimensão epistemológica da noção de problema na obra de Vygotsky: implicações no ensino de ciências. Investigações em Ensino de Ciências, 17(1) 59-79. Recuperado de http://www.if.ufrgs.br/ienci/artigos/Artigo_ID279/v17_n1_a2012.pdf

Gil, D., Torregrosa, J. M., Ramirez, L., Carrée, A. D., Gofard, M., & Carvalho, A. M. P. (1992). Questionando a didática de resolução de problemas: elaboração de um modelo alternativo. Caderno Catarinense de Ensino de Física, Florianópolis, 9(1), 7-19. Recuperado de https://periodicos.ufsc.br/index.php/fisica/article/view/7501/6882

Goes, M. C.R. (2001). A construção de conhecimentos e o conceito da zona de desenvolvimento proximal. In Mortimer, E. F., & Smolka, A. L. B. (orgs.). Linguagem, Cultura e Cognição: reflexões para o ensino e a sala de aula. (pp. 77-88). Belo Horizonte: Autêntica.

Kelly, G. J. (2011). Scientific Literacy, Discourse, and Epistemic Practices. In Linder, C., Ostman, C., Roberts, D. A., Wickman, P. O., Erickson, G., Mackinnon, A. (Orgs.) Exploring the landscape of Scientific Literacy. New York, London: Routledge.

Locatelli, R. J. (2006). Uma análise do raciocínio utilizado pelos alunos ao resolverem os problemas propostos nas atividades de conhecimento físico. (Dissertação de Mestrado em Ensino de Física), Programa Interunidades de Ensino de Ciências, Faculdade de Educação, Instituto de Física, Instituto de Química, Instituto de Biologia, Universidade de São Paulo, São Paulo/SP.

Lopes, E. S. (2013). É o elétron? É onda ou é partícula?: uma proposta para promover a ocorrência da alfabetização científica de Física Moderna e Contemporânea em estudantes do Ensino Médio. (Dissertação de Mestrado em Ensino de Física). Universidade de São Paulo Programa Interunidades de Ensino de Ciências, Faculdade de Educação, Instituto de Física, Instituto de Química, Instituto de Biologia, Universidade de São Paulo, São Paulo/SP.

Machado, V. F. (2012). A importância da pergunta na promoção da alfabetização científica. 2012. Dissertação (Mestrado em Ensino de Física). Programa Interunidades de Ensino de Ciências, Faculdade de Educação, Instituto de Física, Instituto de Química, Instituto de Biologia, Universidade de São Paulo, São Paulo/SP.

Machado, V. F., & Sasseron, L. H. (2012). As perguntas em aulas investigativas de Ciências: a construção teórica de categorias. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências. 12(2), 29-44. Recuperado de https://seer.ufmg.br/index.php/rbpec/article/view/2433/1833

Mortimer, E. F., & Scott, P. (2002). Atividades discursivas nas salas de aulas de ciências: uma ferramenta sociocultural para analisar e planejar o ensino. Investigações em Ensino de Ciências, 7(3), 283-306. Recuperado de http://www.if.ufrgs.br/ienci/artigos/Artigo_ID94/v7_n3_a2002

Mortimer, E. F., & Machado, A. H. (2001). Elaboração de conflitos e anomalias na sala de aula. In: Mortimer, E. F.; Smolka, A. L. B. (orgs.) Linguagem, cultura e cognição: reflexões para o ensino e a sala de aula. (pp. 107-138). Belo Horizonte: Autentica.

Munford, D., & Lima, M. E. C. C. (2007). Ensinar ciências por investigação: em quê estamos de acordo? Revista Ensaio, Belo Horizonte, 9(1), 89-111. Recuperado de http://www.scielo.br/pdf/epec/v9n1/1983-2117-epec-9-01-00089.pdf

Newman, F., & Holzman, L. (2002). Lev Vygotsky: cientista revolucionário. Trad. Marcos Bagno. In ______. A zona de desenvolvimento proximal: uma unidade psicológica ou unidade revolucionária? (pp. 71-110). São Paulo: Edições Loyola.

Oliveira, J. R. S. (2010). A Perspectiva sócio-histórica de Vygotsky e suas relações com a prática da experimentação no ensino de química. ALEXANDRIA Revista de Educação em Ciência e Tecnologia, 3(3), 25-45. Recuperado de https://periodicos.ufsc.br/index.php/alexandria/article/view/38134/29083

Osborne, J. (2016). Defining a knowledge base for reasoning in Science: the role of procedural and epistemic knowledge. In Duschl, R. A., & Bismarck, A.S. (eds.) Reconceptualizing STEM Education: the central role of practice. New York, NY: Routledge.

Padilha, J. N. (2008). O uso das Palavras e Gestos durante a Construção dos Conceitos de Sombra e Reflexão nas Aulas de Conhecimento Físico. (Dissertação de Mestrado em Ensino de Ciências). Programa Interunidades de Ensino de Ciências, Faculdade de Educação, Instituto de Física, Instituto de Química, Instituto de Biologia, Universidade de São Paulo, São Paulo/SP.

Pino, A. (2010). A criança e seu meio: contribuição de Vigotski ao desenvolvimento da criança e à sua educação. Psicologia USP, São Paulo, 21(4), 741-756. Recuperado de http://www.scielo.br/pdf/pusp/v21n4/v21n4a06.pdf

Raboni, P. C. A. (2013). Solução de problemas experimentais em aulas de ciências nos anos iniciais do Ensino Fundamental e o uso da linguagem cotidiana na construção do conhecimento científico. (Pós Doutoramento) - Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo/SP.

Sá, E. F., Lima; M. E. C. C., & Aguiar-Jr., O. A. (2011). A construção de sentidos para o termo ensino por investigação no contexto de um curso de formação. Investigações em Ensino de Ciências, 16(1), 79-102. Recuperado de http://www.if.ufrgs.br/ienci/artigos/Artigo_ID255/v16_n1_a2011.pdf

Sasseron, L. H. (2008). Alfabetização científica no ensino fundamental: estrutura e indicadores deste processo em sala de aula. (Tese de Doutorado em Educação). Programa de Pós Graduação em Educação, Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo/SP.

Sasseron, L. H., & Carvalho, A. M. P. (2008). Almejando a alfabetização científica no ensino fundamental: a proposição e a procura de indicadores do processo. Investigações em Ensino de Ciências, 13(3), 333-352. Recuperado de http://www.if.ufrgs.br/ienci/artigos/Artigo_ID199/v13_n3_a2008.pdf

Sasseron, L. H., & Carvalho, A. M. P. (2011). Alfabetização Científica: uma revisão bibliográfica. Investigação em Ensino de Ciências, 16(1) 59-77. Recuperado de http://www.if.ufrgs.br/ienci/artigos/Artigo_ID254/v16_n1_a2011.pdf

Sasseron, L. H. (2013). Interações discursivas e investigação em sala de aula: o papel do professor. In: Carvalho, A. M. P. (orgs.) Ensino de Ciências por investigação: condições para implementação em sala de aula. (pp. 41-61). São Paulo: Cengage Learning.

Sasseron, L. H. (2015). Alfabetização científica, ensino por investigação e argumentação: relações entre ciências da natureza e escola. Revista Ensaio, Belo Horizonte, 17(n. especial), 49-67. Recuperado de http://www.scielo.br/pdf/epec/v17nspe/1983-2117-epec-17-0s-00049.pdf

Saviani, D. (1996). Educação: do senso comum à consciência filosófica. (11a ed.) Campinas, SP: Autores Associados.

Sedano, L. S. (2005). Ensino de Ciências e formação da Autonomia Moral. (Dissertação de Mestrado em Educação), Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo/SP.

Silva, S. F., & Nuñez, I. B. (2002). O ensino por problemas e trabalho experimental dos estudantes: reflexões teórico-metodológicas. Química Nova, 25(6b), 1197-1203. Recuperado de http://quimicanova.sbq.org.br/imagebank/pdf/Vol25No6B_1197_22.pdf

Silva, A. C. T. (2008). Estratégias enunciativas em salas de aula de Química: contrastando professores de estilos diferentes. (Tese de Doutorado em Educação), Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte/MG.

Souza, T. N. (2015). Engajamento disciplinar produtivo e o ensino por investigação: estudo de caso em aulas de física no Ensino Médio. (Dissertação de Mestrado em Ensino de Física). Programa Interunidades de Ensino de Ciências, Faculdade de Educação, Instituto de Física, Instituto de Química, Instituto de Biologia, Universidade de São Paulo, São Paulo/SP.

Solino, A. P. (2013). Abordagem Temática Freireana e o Ensino de Ciências por Investigação: contribuições para o ensino de Ciências/Física nos anos iniciais do ensino fundamental. (Dissertação de Mestrado em Ensino de Ciências e Matemática). Programa de Pós Graduação em Educação Científica e Formação de Professores, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Jequié/BA.

Solino, A. P., & Gehlen, S. T. (2014). Abordagem temática freireana e o ensino de ciências por investigação: possíveis relações epistemológicas e pedagógicas. Investigações em Ensino de Ciências, 19(1), 141-162. Recuperado de http://www.if.ufrgs.br/ienci/artigos/Artigo_ID363/v19_n1_a2014.pdf

Solino, A. P., Ferraz, A. T & Sasseron, L. H. Ensino por investigação como abordagem didática: desenvolvimento de práticas científicas. Anais. XXI Simpósio Nacional de Ensino de Física – SNEF, Maresias-SP, 2015. Recuperado de http://www.sbf1.sbfisica.org.br/eventos/snef/xxi/sys/resumos/T0254-1.pdf

Solino, A. P. (2017). Potenciais Problemas Significadores em aulas investigativas: contribuições da perspectiva histórico-cultural. (Tese de Doutorado). Programa de Pós Graduação em Educação. Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo/SP.

Vasconcellos, C., Lopes, B., Costa, N., Marques, L., & Carrasquinho, S. (2007). Estado da arte na resolução de problemas em Educação em Ciência. Revista Electrónica de Enseñanza de las Ciencias, 6(2), 235-245. Recuperado de http://reec.uvigo.es/volumenes/volumen6/ART1_Vol6_N2.pdf

Vigotski, L. S. (2007). A formação social da mente. (7a ed.) São Paulo: Martins Fontes.

Vigotski, L. S. (2009a). A construção do pensamento e da linguagem. Trad. P. Bezerra. (2a ed.) São Paulo: Martins Fontes.

Vigotski, L. S. (2009b). Imaginação e criação na infância. (Apresentação e comentários Ana Luiza Smolka. tradução Zoia Prestes). (pp. 1-42), São Paulo: Ática.

Vygotsky, L.S., & Luria, A. R. (1996). A história do comportamento: o macaco, o primitivo e a criança. Trad. Lólio Lourenço de Oliveira. Porto Alegre: Artes Médicas.

Zômpero, A. F., & Laburú, C. E. (2011). Atividades investigativas no ensino de ciências: aspectos históricos e diferentes abordagens. Revista Ensaio, 13(3), 67-8. Recuperado de http://www.scielo.br/pdf/epec/v13n3/1983-2117-epec-13-03-00067.pdf




DOI: http://dx.doi.org/10.22600/1518-8795.ienci2018v23n2p104

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.

Revista Investigações em Ensino de Ciências (IENCI) - ISSN: 1518-8795 

Creative Commons License