POR QUE DEFINIR A PERGUNTA FOCAL DOS MAPAS CONCEITUAIS É IMPORTANTE? A IDENTIFICAÇÃO DE MAPAS SUPERFICIAIS SEM ERROS CONCEITUAIS

Adriano Nardi Conceição, Paulo Rogério Miranda Correia

Resumo


Os mapas conceituais (MCs) são redes de proposições integradas com o objetivo de responder a uma pergunta focal. Infelizmente, a literatura da área tende a negligenciar o papel da pergunta focal e a identificação de mapas conceituais superficiais, ainda que conceitualmente corretos, não acontece. Nesse trabalho foi conduzida uma análise de agrupamentos a partir do desempenho de estudantes em um questionário contendo itens relacionados aos temas pensamento científico, astronomia clássica e astronomia moderna que permitiu delimitar diferentes níveis de entendimento conceitual. O desempenho dos estudantes de cada grupo foi utilizado para discutir as características dos MCs construídos por eles em uma tarefa avaliativa vinculada a uma disciplina no ensino superior. Os MCs foram analisados a partir da clareza semântica e correção conceitual das proposições e da aderência à pergunta focal proposta. Os estudantes que melhor representaram os seus esquemas conceituais, construíram mapas com grande número de proposições apropriadas e responderam em maior proporção à pergunta focal, foram também aqueles que obtiveram os melhores desempenhos no questionário. A partir dos resultados é possível concluir que a leitura do conteúdo semântico dos MCs revela o entendimento conceitual dos alunos. O papel crítico da pergunta focal deve ser considerado nas atividades envolvendo a construção de mapas conceituais para identificar mapas superficiais sem erros conceituais.

Palavras-chave


Avaliação; Mapas conceituais; Pergunta focal; Análise semântica

Texto completo:

PDF

Referências


Aguiar, J. G., & Correia, P. R. M. (2013). Como fazer bons mapas conceituais? Estabelecendo parâmetros de referências e propondo atividades de treinamento. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências, 13(2), 141-157. Recuperado de https://periodicos.ufmg.br/index.php/rbpec/article/view/4265

Aguiar, J. D., Cicuto, C. A. T., & Correia, P. R. M. (2014). How can we prepare effective concept maps?: training procedures and assessment tools to evaluate mappers’ proficiency. Journal of Science Educa-tion, 15(1), 14-19. Recuperado de https://www.researchgate.net/publication/260082053_How_can_we_prepare_effective_concept_maps_Training_procedures_and_assessment_tools_to_evaluate_mappers'_proficiency

Ausubel, D. P. (2000). The acquisition and retention of knowledge: a cognitive view. Dordrechet: Kluwer Aca-demic Publishers.

Bauman, A. (2018). Concept Maps: Active Learning Assessment Tool in a Strategic Management Capstone Class. College Teaching, 66(4), 213-221. https://doi.org/10.1080/87567555.2018.1501656

Brakoniecki, A., Shah, F. (2017) The Use of Concept Maps to Assess Preservice Teacher Understanding: A Formative Approach in Mathematics Education. Journal of Education, 197(1), 23-32. https://doi.org/10.1177/002205741719700104

Bybee, R. W., Fuchs, B. (2006). Preparing the 21st century workforce: a new reform in science and technol-ogy education. Journal of Research in Science Teaching, 43(4), 349-352. https://doi.org/10.1002/tea.20147

Cañas, A. J., Novak, J. D., Reiska, P. (2015). How good is my concept map? Am I a good Cmapper? Knowledge Management & E-Learning, 7(1), 6–19. https://doi.org/10.34105/j.kmel.2015.07.002

Correia, P. R. M., do Valle, B. X., Dazzani, M., & Infante-Malachias, M. E. (2010). The importance of scien-tific literacy in fostering education for sustainability: Theoretical considerations and preliminary findings from a Brazilian experience. Journal of Cleaner Production, 18(7), 678-685, 2010. https://doi.org/10.1016/j.jclepro.2009.09.011.

Correia, P., Cabral, G., & Aguiar, J. (2016). Cmaps with Errors: Why not? Comparing Two Cmap-Based As-sessment Tasks to Evaluate Conceptual Understanding. In A. Cañas, P. Reiska, & J. Novak, J. (Eds.). Innovating with concept mapping: 7th international conference on concept mapping, CMC 2016, Tallinn, Estonia, September 5-9, 2016, proceedings. [Basel]: Springer, 2016. 635, 1-15. https://doi.org/10.1007/978-3-319-45501-3.

Correia, P. R. M., & Aguiar, J. G. (2017). Avaliação da proficiência em mapeamento conceitual a partir da análise estrutural da rede proposicional. Ciência & Educação (Bauru), 23(1), 71-90. https://doi.org/10.1590/1516-731320170010005

Correia, P. R. M., & Nardi, A. (2019). O que revelam os mapas conceituais dos meus alunos? Avaliando o conhecimento declarativo sobre a evolução do universo. Ciência & Educação (Bauru), 25(3), 685-704. Epub October 07, 2019. https://doi.org/10.1590/1516-731320190030008

Davies, M. (2011). Concept mapping, mind mapping and argument mapping: what are the differences and do they matter? Higher Education, 62, 279-301. https://doi.org/10.1007/s10734-010-9387-6

Holbrook, J., & Rannikmae, M. (2007). The nature of science education for enhancing scientific literacy. International Journal of Science Education, 29(11), 1347-1362. https://doi.org/10.1080/09500690601007549

Kinchin, I. M. (2016). Visualising powerful knowledge to develop the expert student. Rotterdam: Sense Pub-lishers.

Kinchin, I. M., Hay, D. B., & Adams, A. (2000). How a qualitative approach to concept map analysis can be used to aid learning by illustrating patterns of conceptual development. Educational Research, 42(1), 43-57. https://doi.org/10.1080/001318800363908

McClure, J. R., Sonak, B., & Suen, H. K. (1999). Concept map assessment of classroom learning: Reliabil-ity, validity, and logistical practicality. Journal of Research in Science Teaching, 36(4), 475-492. https://doi.org/10.1002/(SICI)1098-2736(199904)36:4<475::AID-TEA5>3.0.CO;2-O,

Moreira, M. A., Greca, I.M. & Palmero, M.L.R. (2002). Modelos mentales y modelos conceptuales en la enseñanza & aprendizaje de las ciencias. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências, 2, 36–56. Recuperado de https://periodicos.ufmg.br/index.php/rbpec/article/view/4134

Moreira, M. A. (2011). Aprendizagem significativa: a teoria e textos complementares. São Paulo, SP: Livraria da Física.

Novak, J. D. (2002). Meaningful learning: The essential factor for conceptual change in limited or inappro-priate propositional hierarchies leading to empowerment of learners. Science Education, 86(4), 548–571. https://doi.org/10.1002/sce.10032

Novak, J. D. (2010). Learning, creating, and using knowledge: concept maps as facilitative tools in schools and corporations. New York: Routledge.

Romero, C., Carzola, M., & Buzón, O. (2017). Meaningful Learning Using Concept Maps as a Learning Strat-egy. Journal of Technology and Science Education, 7(3), 313-332. http://dx.doi.org/10.3926/jotse.276

Ruiz-Primo, M. A., Shavelson, R. J. (1996). Problems and issues in the use of concept maps in science assessment. Journal of Research in Science Teaching, 33(6), 569-600. https://doi.org/10.1002/(SICI)1098-2736(199608)33:6<569::AID-TEA1>3.0.CO;2-M

Salmon, D., & Kelly, M. (2015). Using Concept Mapping to Foster Adaptive Expertise: Enhancing Teacher Metacognitive Learning to Improve Student Academic Performance. New York, NY: Peter Lang Publishing.

Toigo, A. M., Moreira, M. A., & Costa, S. S. C. (2012). Revisión de la literatura sobre el uso de mapas conceptuales como estrategia didáctiva y de evaluación. Investigações em Ensino de Ciências, 17(2), 305-339. Recuperado de https://www.if.ufrgs.br/cref/ojs/index.php/ienci/article/view/188




DOI: http://dx.doi.org/10.22600/1518-8795.ienci2020v25n3p471

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.

Revista Investigações em Ensino de Ciências (IENCI) - ISSN: 1518-8795 

Creative Commons License