ENSINO DE CIÊNCIAS E ASPRÁTICAS EPISTÊMICAS: O PAPEL DO PROFESSOR E O ENGAJAMENTO DOS ESTUDANTES

Lucia Helena Sasseron, Richard Allan Duschl

Resumo


Neste artigo, exploramos ideias que se encontram ao pensar sobre o ensino de ciências. Nossas considerações iniciam por descrever e analisar alguns aspectos das ciências e das escolas, assim defendemos a importância de que o ensino de ciências ocorra por meio do desenvolvimento de práticas epistêmicas para a abordagem de conceitos, leis, modelos e teorias científicas. Para tanto, destacamos a importância do professor como promotor de interações discursivas que podem produzir engajamento entre os estudantes. Como forma de sustentar nosso ponto de vista, analisamos situações de ensino ocorridas em aulas de ciências para alunos do Ensino Fundamental 1. Nossos resultados revelam professor e alunos participando de modo intenso em discussões, propondo ideias, comunicando entendimento, avaliando proposições e legitimando conhecimentos; nesse processo, evidências do engajamento dos estudantes são encontradas. Isso nos permite afirmar que um espaço rico em interações discursivas sobre temas das ciências pode também desenvolver oportunidades para o surgimento de práticas epistêmicas entre alunos e professor.

Palavras-chave


Ensino de ciências; práticas epistêmicas; papel do professor; engajamento

Texto completo:

PDF

Referências


Berland, L.K., & Hammer, D. (2012). Framing for Scientific Argumentation, Journal of Research in Science Teaching, 49(1), 68–94.

Brasil (1996). Lei No. 9394/96, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

Bybee, R. W., & DeBoer, G. E. (1994). Research on Goals for the Science Curriculum, In Gabel, D. L. (ed.), Handbook of Research in Science Teaching and Learning. (pp. 357-387). New York, NY: McMillan.

Carvalho, A. M. P. (2006). Las prácticas experimentales en el proceso de enculturación científica. In Quintanilla, M., & Adúriz-Bravo, A. (Orgs.), Enseñar ciencias en el nuevo milenio: retos y propuestas. v.1 (pp. 73-90). Santiago, Chile: Ediciones Universidad Católica do Chile.

Carvalho, A. M. P. (2013) Ensino de Ciências e a proposição de sequências de ensino investigativas. In Carvalho, A. M. P. (Org.). Ensino de Ciências por Investigação: condições para implementação em sala de aula. (pp. 1-20). São Paulo, SP: Cengage Learning.

Carvalho, A. M. P. (2011). Ensino e aprendizagem de Ciências: referenciais teóricos e dados empíricos das sequências de ensino investigativas (SEI). In Longhini, M. D. (Org.), O Uno e o Diverso na Educação (pp. 253-266). Uberlândia, MG: EDUFU.

Chervel, A. (1990). História das disciplinas escolares: reflexões sobre um campo de pesquisa. Teoria & Educação, (2),177-229.

De Chiaro, S. & Leitão, S. (2005). O papel do professor na construção discursiva da argumentação em sala de aula. Psicologia: Reflexão e Crítica, 18(3), 350-357.

Duschl, R. A. (2008). Science education in three-part harmony: balancing conceptual, epistemic and social learning goals. Review of Research in Education, 32(1), 268-291.

Eagleton, T. (2005). A ideia de cultura. São Paulo, SP: Editora UNESP.

Eliot, T.S. (1988). Notas para uma definição de cultura. São Paulo, SP: Editora Perspectiva.

Engle, R. & Conant, F. (2002). Guiding principles for fostering productive disciplinary engagement: explaining an emergent argument in a community of learners classroom. Cognition and Instruction, 20(4), 399-483.

Fourez, G. (2003). Crise no Ensino de Ciências? Investigações em Ensino de Ciências, 8(2),109-123.

Fourez, G. (1994). Alphabétisation Scientifique et Technique – Essai sur les finalités de l’enseignement des sciences. Bruxelas, Bélgica: DeBoeck-Wesmael.

Freire, P. (1967). Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro, RJ: Paz e Terra.

Hurd, P. D. (1998). Scientific Literacy: New Minds for a Changing World. Science Education, 82(3), 407-416.

Jiménez-Aleixandre, M. P., Bugallo Rodríguez, A., & Duschl, R. A. (2000). “Doing the Lesson” or “Doing Science”: Argument in High School Genetics. Science Education, 84(6), 757-792.

Julia, D. (2001). A cultura escolar como objeto histórico. Revista Brasileira de História da Educação, (1), 9-44.

Kelly, G.J. (2008). Inquiry, activity and epistemic practice. In Duschl, R.A., & Grandy, R. E. (eds.) Teaching Scientific Inquiry: recommendations for research and implementation. (pp. 288-291). Rotterdam, Holand: Taipei Sense Publishers.

Kelly, G.J. & Licona, P. (in press). Epistemic practices and science education, In Matthews, M. (Ed.), HPS&ST anthology.

Knorr-Cetina, K. (1999). Epistemic cultures: How the sciences make knowledge. Cambridge, MA: Harvard University Press.

Kuhn, T.S. (1996). Estrutura das revoluções científicas. São Paulo, SP: Perspectiva.

Latour, B., & Woolgar, S. (1997). A Vida de Laboratório – A produção dos fatos científicos. Rio de Janeiro, RJ: Relume-Dalmará.

Lidar, M., Lundqvist, E., & Östman, L. (2005). Teaching and learning in the Science classroom: The interplay between teachers’ epistemological moves and students’ practical epistemology. Science Education, 90(1),148-163.

Longino, H. E. (1990). Science as social knowledge: Values and objectivity in science inquiry. Princeton, NJ: Princeton University Press.

Longino, H. E. (2002). The fate of knowledge. Princeton, NJ: Princeton University Press.

Osborne, J. (2016). Defining a knowledge base for reasoning in Science: the role of procedural and epistemic knowledge. In Duschl, R. A., & Bismarck, A.S. (eds.) Reconceptualizing STEM Education: the central role of practice. New York, NY: Routledge.

Passmore, J. (1980). The philosophy of teaching. London, UK: Duckworth.

Sasseron, L. H. & Carvalho, A. M. P. (2011). Alfabetização Científica: uma revisão bibliográfica. Investigações em Ensino de Ciências , 16(1), 59-77.

Silva, A.C.T. (2008). Estratégias enunciativas em salas de aula de química: contrastando professores de estilos diferentes. (Tese de doutorado, Faculdade de Educação, UFMG), Minas Gerais, BR.

Vinão Frago, A. (1995). Historia de la educación y historia cultural - Posibilidades, problemas, cuestiones, Revista Brasileira de Educação, (0), 63-82.

White, L. A. & Dillingham, B. (2009). O conceito de cultura. Rio de Janeiro, RJ: Contraponto.

Young, M. (2007). Para que servem as escolas? Educação e Sociedade, 28(101), 1287-1302.




DOI: http://dx.doi.org/10.22600/1518-8795.ienci2016v21n2p52

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.

Revista Investigações em Ensino de Ciências (IENCI) - ISSN: 1518-8795 

Creative Commons License