A EXPERIMENTAÇÃO PELO OLHAR DE GRADUANDOS EM QUÍMICA: RELAÇÕES COM O CONTEXTO FORMATIVO

Caian Cremasco Receputi, Thaiara Magro Pereira, Marcos Vogel, Daisy de Brito Rezende

Resumo


Esta comunicação apresenta um estudo com graduandos de dois cursos de Química, denominados curso de Química A e curso de Química B. Objetivou-se identificar as Representações Sociais (RS) desses dois grupos a respeito de “experimentação” e estabelecer relações entre essas representações e o contexto formativo desses graduandos. Para isso, utilizou-se a abordagem estrutural da Teoria das RS. Para a coleta de informações, que ocorreu com 117 sujeitos, empregou-se um questionário com 12 questões, das quais quatro referem-se à técnica de livre associação de palavras a partir do termo indutor “experimentação”, enquanto as demais são de categorização dos sujeitos de pesquisa. Para o tratamento das informações, e determinação das RS desses grupos, empregou-se a análise prototípica e a análise de similitude. Os resultados mostram RS diferentes para os dois grupos. Enquanto os termos do NC das RS acerca de “experimentação” para os graduandos do curso de Química A foram: laboratório, pesquisa e teste, para os licenciandos do curso de Química B foram laboratório, pesquisa e conhecimento. Identificou-se que ambos os grupos compreendem a “experimentação” como um aspecto inerente da Química como uma Ciência empírica. Porém, além disso, os graduandos em Química do curso de Química B concebem a experimentação como um processo no ensino da Química. Dois fatores podem ser indicados como contribuintes para a explicação dessa diferença: i) a estrutura curricular dos cursos; e ii) a participação em projetos de iniciação à docência.


Palavras-chave


Formação de professores; Atividade Experimental; Representação Social; Abordagem estrutural

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DOI: http://dx.doi.org/10.22600/1518-8795.ienci2020v25n2p313

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