CONHECIMENTOS TRADICIONAIS E O ENSINO DE CIÊNCIAS NA EDUCAÇÃO ESCOLAR QUILOMBOLA: UM ESTUDO ETNOBIOLÓGICO

Joaklebio Alves da Silva, Marcelo Alves Ramos

Resumo


A relação entre os seres humanos e o meio ambiente resulta na geração de conhecimentos que estão ligados com a cultura local e é de fundamental importância ser considerado na formação educativa do indivíduo. A presente pesquisa objetivou identificar, com base na etnobiologia, como estudantes de uma escola pública e quilombola localizada no Município de Goiana, Estado de Pernambuco, Brasil, conhecem e representam a biodiversidade de sua comunidade, e descrever como esses conhecimentos contribuíram para o ensino de ciências através do diálogo intercultural. Por meio da metodologia da pesquisa-ação foi solicitado que os estudantes produzissem um desenho que representassem seus conhecimentos acerca da biodiversidade local e o descrevessem através de uma produção textual. Os dados coletados procederam a análise de conteúdo em uma perspectiva analítico-interpretativa. Os conhecimentos identificados foram agrupados em categorias de análise e, posteriormente, contextualizados através do planejamento de sequências didáticas aplicadas em turmas de anos iniciais do ensino fundamental. Os resultados indicam que os estudantes quilombolas detêm conhecimentos tradicionais ligados ao ambiente em que vivem, especificamente ao ecossistema manguezal e demais aspectos da mata atlântica. Pôde-se notar que esses conhecimentos estabelecem relações diretas com os saberes científicos na escola, os quais, quando considerados em sala de aula, contribuíram para o ensino de ciências com base no diálogo intercultural entre conhecimentos tradicionais e científicos em uma perspectiva etnobiológica, revelando a relevância da contextualização de conhecimentos no ensino de ciências como proposta para o trabalho docente no âmbito da cultura quilombola.


Palavras-chave


Etnobiologia; Diálogo intercultural entre conhecimentos; Processo de ensino e aprendizagem; Manguezal

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DOI: http://dx.doi.org/10.22600/1518-8795.ienci2019v24n3p121

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