AS TRANSFORMAÇÕES E AS PERMANÊNCIAS DE CONHECIMENTOS SOBRE ATIVIDADES EXPERIMENTAIS EM UM CONTEXTO DE FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES DE QUÍMICA

Fábio Peres Gonçalves, Beatriz Biagini, Renata Isabelle Guaita

Resumo


Investiga-se como se caracterizam os conhecimentos sobre atividades experimentais no Ensino de Química/Ciências de licenciandos em Química, explicitados durante a participação em uma componente curricular. Analisam-se as produções textuais constituintes de portfólios da componente curricular integrante de um curso de licenciatura em Química de uma instituição pública de educação superior brasileira. O material foi examinado segundo os procedimentos da análise textual discursiva. Entre os resultados, destacam-se: a) conhecimentos relativos à valorização da participação discente durante as atividades experimentais; b) dos conhecimentos discentes concernentes à associação entre atividades experimentais e motivação; c) a explicitação de conhecimentos vinculados à necessidade de considerar, nas atividades experimentais, o respeito à integridade física dos estudantes e ao meio ambiente. Na sequência, analisam-se os conhecimentos dos licenciandos com base no referencial progressista de educação de Paulo Freire em diálogo com as categorias estrutura vertical e estrutura horizontal, de Eduardo Nicol. Desta análise depreenderam-se transformações e permanências de conhecimentos dos licenciandos, indicando a apropriação do que foi estudado, como: a possibilidade das atividades experimentais originarem questionamentos, a necessidade de favorecer a explicitação dos conhecimentos iniciais dos alunos e o respeito à integridade física dos estudantes não os submetendo a experimentos perigosos. Por outro lado, foi possível caracterizar a permanência, de forma mais pujante, de um conhecimento inicial sobre as atividades experimentais que as entende com motivadoras. Interpreta-se ainda que as transformações e as permanências de conhecimentos identificadas valorizaram, em alguma medida, a abordagem adotada no estudo sobre atividades experimentais no Ensino de Química/Ciências, na formação inicial de professores de Química.


Palavras-chave


Formação de professores; atividades experimentais; Ensino de Química

Texto completo:

PDF

Referências


Afonso, A. S., & Leite, L. (2000). Concepções de futuros professores de ciências físico-químicas sobre a utilização de atividades laboratoriais. Revista Portuguesa de Educação, 13(1), 185-208. Recuperado de http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=37413109

Antúnez, G. C., Pérez, S. M., & Petrucci, D. (2008). Concepciones de los docentes universitarios sobre los trabajos prácticos de laboratorio. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências, 8(1), 1–17. Recuperado de https://seer.ufmg.br/index.php/rbpec/article/viewFile/2227/1626

Arroio, A., & Giordan, M. (2006). O vídeo educativo: aspectos da organização do ensino. Química Nova na Escola, 24(1), 8-11. Recuperado de http://qnesc.sbq.org.br/online/qnesc24/eqm1.pdf

Bachelard, G. (1996). A formação do espírito científico: contribuição para uma psicanálise do conhecimento. (Trad. Estela dos Santos Abreu). Rio de Janeiro, RJ: Contraponto.

Biagini, B., & Machado, C. (2014). A experimentação no ensino de ciências em duas escolas municipais de Florianópolis/SC. Revista da SBEnBio, Niterói, RJ, 7(1), 900-911. Recuperado de https://www.sbenbio.org.br/wordpress/wp-content/uploads/2014/11/R0613-1.pdf

Borges, A. T. (2004). Novos rumos para o laboratório escolar de ciências. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, 21(ed. esp.), 9-34. Recuperado de https://periodicos.ufsc.br/index.php/fisica/article/view/6607/6099

Clement, L., Custódio, J. F., Rufini, S. E., & Alves Filho, J. P. (2014). Motivação autônoma de estudantes de física: evidências de validade de uma escala. Revista Quadrimestral da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional, 18(1) 45-56. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-85572014000100005

Cortès Gracia, A. L., & Gándara Gómez, M. (2006). La construcción de problemas en el laboratorio durante la formación del profesorado: una experiencia didáctica. Enseñanza de las Ciencias, 25(5), 435-450. Recuperado de https://www.raco.cat/index.php/Ensenanza/article/view/87938

De Jong. O. (1998). Los experimentos que plantean problemas en las aulas de Química. Enseñanza de las Ciencias,16(2), 305-314. Recuperado de https://www.raco.cat/index.php/Ensenanza/article/view/21536

Delizoicov, D. (2005). Resultados da pesquisa em ensino de ciências: comunicação ou extensão? Caderno Brasileiro de Ensino de Física, 22(3), 364-378. Recuperado de https://periodicos.ufsc.br/index.php/fisica/article/view/6376/5902

Escrivá-Colomar I., & Rivero-Garcia, A. (2017). Progresión de las ideas de los futuros maestros sobre la construcción del conocimiento científico a través de mapas generados en una secuencia de actividades. Revista Eureka sobre Enseñanza y Divulgación de las Ciencias, 14(1), 199-214. http://dx.doi.org/10.25267/Rev_Eureka_ensen_divulg_cienc.2017.v14.i1.15

Finkelstein, N. D., Perkins, K. K., Adams, W., Kohl, P., & Podolefsky, N. (2004). Can computer simulations replace real lab. equipment? Proceedings of the 2004 Physics Education Research Conference. 101-104. Melville, United States of America. https://doi.org/10.1063/1.2084711

Firme, M. V., & Galiazzi, M. C. (2014). A aula experimental registrada em portfólios coletivos: a formação potencializada pela integração entre licenciandos e professores da escola básica. Química Nova na Escola, 36(2), 144-149. http://dx.doi.org/10.5935/0104-8899.20140017

Freire, P. (1996). Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo, SP: Paz e Terra.

Freire, P. (1977). Extensão ou comunicação? São Paulo, SP: Paz e Terra.

Galiazzi, M. C., & Gonçalves, F. P. (2004). A natureza pedagógica da experimentação: uma pesquisa na licenciatura em química. Química Nova, 27(2), 326-331. http://dx.doi.org/10.1590/S0100-40422004000200027

Galiazzi, M. C., Rocha, J. M. B., Schmitz, L. C., Souza, M. L., Giesta, S., & Gonçalves, F. P. (2001). Objetivo das atividades experimentais no ensino médio: a pesquisa coletiva como modo de formação de professores. Ciência & Educação (Bauru), 7(2), 249-263. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-73132001000200008

García Barros, S., Martinez Losada, C., & Mondelo Alonso, M. (1998). Hacia la innovación de las actividades prácticas desde la formación del profesorado. Enseñanza de las Ciencias, 16(2), 353-366. Recuperado de https://www.raco.cat/index.php/ensenanza/article/viewFile/21541/21375

Gil. A. C. (2008). Métodos e técnicas de pesquisa social. (6a ed.). São Paulo, SP: Atlas.

Gil Pérez, D.; Furió Más, C.; Valdés, P.; Salinas, J.; Martínez-Torregrosa, J.; Guisola, J.; Gonzáles, E.; Dumas-Carré, A.; Goffard, M., & Carvalho, A. M. P. (1999). Tiene sentido seguir distinguiendo entre aprendizaje de conceptos, resolución de problemas de lápiz y papel y realización de prácticas de laboratorio? Enseñanza de las Ciencias, 17(2), 311-320. Recuperado de https://www.raco.cat/index.php/Ensenanza/article/download/21581/21415

Gioppo, C., Scheffer, E. W. O., & Neves, M. C. D. (1998). O ensino experimental na escola fundamental: uma reflexão de caso no Paraná. Educar, 14(1), 39-57. http://dx.doi.org/10.1590/0104-4060.180

Gonçalves; F. P., & Brito, M. A. (2014). Experimentação na educação superior em química: fundamentos, propostas e reflexões. Florianópolis SC: Ufsc.

Gonçalves; F. P., & Marques, C. A. (2006). Contribuições pedagógicas e epistemológicas em textos de experimentação no ensino de química. Investigações em Ensino de Ciências, 11(2), 219-238. Recuperado de https://www.if.ufrgs.br/cref/ojs/index.php/ienci/article/view/494

Gonçalves, F. P., & Marques, C. A. (2011). A problematização das atividades experimentais na educação superior em química: uma pesquisa com produções textuais docentes. Química Nova, 34(5), 899-904. http://dx.doi.org/10.1590/S0100-40422011000500030

Gonçalves; F. P., & Marques, C. A. (2012). A circulação inter e intracoletiva de conhecimento acerca das atividades experimentais no desenvolvimento profissional e na docência de formadores de professores de química. Investigações em Ensino de Ciências, 17(2), 467-488. Recuperado de https://www.if.ufrgs.br/cref/ojs/index.php/ienci/article/view/199/134

Gonçalves, F. P., & Marques, C. A. (2016). A experimentação na docência de formadores da área de ensino de química. Química Nova na Escola, 38(1), 84-98. http://dx.doi.org/10.5935/0104-8899.20160013

Grandini, N. A., & Grandini, C. R. (2004). Os objetivos do laboratório didático na visão dos alunos do curso de Licenciatura em Física da UNESP-Bauru. Revista Brasileira de Ensino de Física, 26(3), 251-256. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-47442004000300011

Guaita, R. I. (2015). As atividades experimentais mediadas por novas tecnologias da informação e comunicação em licenciaturas em ciências da natureza: situação-limite e inédito viável. (Dissertação de mestrado). Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC. Recuperado de https://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/160631

Guimarães, S. E. R. (2001). Motivação intrínseca, extrínseca e o uso de recompensas em sala de aula. In E. Boruchovitch, & J. S. Bzuneck. A motivação do aluno: contribuições da psicologia contemporânea (pp. 37-57). Petrópolis, RJ: Vozes.

Gunstone, R. (1991). Reconstructing theory from practical experience. In B. Woolnough. Practical Science (pp. 67-77). Milton Keynes, England: Open University.

Hamed, S.; Rivero, A., & Del Pozo, R. M. (2016). El cambio en las concepciones de los futuros maestros sobre la metodología de enseñanza en un programa formativo. Revista Eureka sobre la Enseñanza y Divulgación de las Ciencias, 13(2), 476-492. http://dx.doi.org/10.25267/Rev_Eureka_ensen_divulg_cienc.2016.v13.i2.17

Hirvonen, P. E., & Viiri, J. (2002). Physics student teachers’ ideas about the objectives of practical work. Science & Education, 11(3), 305-316. https://doi.org/10.1023/A:101521672

Hodson, D. (1994.) Hacia un enfoque más crítico del trabajo de laboratorio. Enseñanza de las Ciencias, 12(3), 299-313. Recuperado de https://www.raco.cat/index.php/Ensenanza/article/view/21370

Hofstein, A. (2004). The laboratory in Chemistry Education; thirty years of experience with development, implementation, and research. Chemistry Education: Research and Practice, 5(3), 247-264. https://doi.org/10.1039/B4RP90027H

Hofstein, A., & Lunetta, V. N. (2004). The Laboratory in Science Education: Foundations for the Twenty-First Century. Science Education, 88(1), 28-54. https://doi.org/10.1002/sce.10106

Hofstein, A., Navon, O., Kipnis, M., & Naaman-Mamlok, R. (2005). Developing student’ ability to ask more and better questions resulting from inquiri-type chemistry laboratories. Journal of Research in Science Teaching, 42(7), 791-806. https://doi.org/10.1002/tea.20072

Llitjós, A., Estopá, C., & Miró, A. (1994). Elaboración y utilización de audiovisuales en la enseñanza de la química. Enseñanza de las Ciencias, 12(1), 57-62. Recuperado de https://www.raco.cat/index.php/Ensenanza/article/view/21331

Minayo, M. C. S. (2017). Amostragem e saturação em pesquisa qualitativa: consensos e controvérsias. Revista Pesquisa Qualitativa, 5(7), 1-12. Recuperado de https://editora.sepq.org.br/index.php/rpq/article/view/82/59

Moraes, R. & Galiazzi, M. C. (2007). Análise Textual Discursiva. Ijuí, RS: Unijuí.

Moser, Paul K.; Mulder, Dwayane H., & Trout, J. D. (2009). A teoria do conhecimento: uma introdução temática. São Paulo, SP: WMF Martins Fontes.

Neves, K. O. (2012). As Atividades Experimentais e o Ensino de Ciências: Limites e Possibilidades da Atuação do Coordenador de Laboratório de Ciências. (Dissertação de mestrado). Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SP. Recuperado de http://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/96318

Porlán, R., Martín Del Pozo, R. Rivero, A., Harres, J., Azcárate, P., & Pizzato, M. (2010). El cambio del profesorado de ciencias I: marco teórico y formativo. Enseñanza de las Ciencias, 28(1), 31-46. Recuperado de http://www.raco.cat/index.php/Ensenanza/article/download/189094/353373

Reigosa Castro, C.E., & Jiménez Aleixandre, M.P. (2000). La cultura científica en la resolución de problemas en el laboratorio. Enseñanza de las Ciencias, 18(2), 275-284. Recuperado de https://www.raco.cat/index.php/Ensenanza/article/view/21670/21504

Silva, L. H. A., & Zanon, L. B. (2000). A experimentação no ensino de ciências. In R. P. Schnetzler, & R. M. R. Aragão, Ensino de ciências: fundamentos e abordagens (pp. 120-153). Piracicaba, SP: Capes/Unimep.

Silva, R. R., & Machado, P. F. L. (2008). Experimentação no ensino médio de química: a necessária busca da consciência ético-ambiental no uso e descarte de produtos químicos – um estudo de caso. Ciência & Educação (Bauru), 14(2), 233-249. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-73132008000200004.

Solís, E., Porlán, R., & Rivero, A. (2012). ¿Cómo representar el Conocimiento Curricular de los profesores de Ciencias y su evolución? Enseñanza de las Ciencias, 30(3), 9-30. Recuperado de https://www.raco.cat/index.php/Ensenanza/article/viewFile/285681/373653

Tapia, J. A. (2003). Motivação e aprendizagem no ensino médio. In C. Coll, C. Gotzens, C. Monereo, J. Onrubia, J. I. Pozo, & A. Tapia, Psicologia da aprendizagem no ensino médio (pp. 103-139). Porto Alegre, RS: Artmed.

Tarekegn, G. (2009). Can computer simulations substitute real laboratory apparatus? Latin-American Journal of Physic Education, 10(3), 506-517. Recuperado http://www.lajpe.org/sep09/2_LAJPE_282_Tarekegn.pdf

Zacharia, Z. (2003). Beliefs, Attitudes, and Intentions of Science Teachers Regarding the Educational Use of Computer Simulations and Inquiry-Based Experiments in Physics. Journal of Research in Science Teaching, 40(8), 792-823, 2003. https://doi.org/10.1002/tea.10112

Zacharia, Z., & Constantinou, C. P. (2008). Comparing the influence of physical and virtual manipulatives in the context of the Physics by Inquiry curriculum: The case of undergraduate students’ conceptual understanding of heat and temperature. American Journal Physics, 76(4), 425-430. https://doi.org/10.1119/1.2885059




DOI: http://dx.doi.org/10.22600/1518-8795.ienci2019v24n3p101

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.

Revista Investigações em Ensino de Ciências (IENCI) - ISSN: 1518-8795 

Creative Commons License