RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS EM FÍSICA ENVOLVENDO ESTRATÉGIAS METACOGNITIVAS: ANÁLISE DE PROPOSTAS DIDÁTICAS

Cleci Teresinha Werner da Rosa, Caroline Maria Ghiggi

Resumo


A metacognição tem recebido atenção especial nos estudos que envolvem a aprendizagem e, aos poucos, vem ocupando espaço no contexto educacional, especialmente por favorecer a autonomia e potencializar a aprendizagem. A partir dessa identificação e tendo por base o estudo de Rosa (2011), que mostrou a pertinência de sua associação com as atividades experimentais em Física, o presente estudo ocupa-se de desenvolver e analisar propostas didáticas que permitam a aproximação desse constructo com a resolução de problemas em Física. O objeto do estudo situa-se em identificar as possibilidades de associar as estratégias metacognitivas com a resolução de problemas em Física, avaliando a sua pertinência didática na voz de futuros professores. Para atingir o objetivo pretendido, o estudo estrutura de distintas formas quatro propostas didáticas de resolução de problemas orientadas pela metacognição e aplica com alunos de um curso de Física - Licenciatura. A análise dos dados coletados permitiu apontar para a viabilidade das quatro propostas didáticas estruturadas e evidenciou que os futuros professores têm uma preocupação em oportunizar a qualificação da aprendizagem de seus futuros alunos e, para isso, se mostram abertos a discutir e analisar alternativas didáticas. Além disso, evidenciou que as propostas podem representar benefícios à aprendizagem, especialmente em termos de contribuir para que os estudantes sejam mais reflexivos e autônomos em suas aprendizagens. Ainda, representou uma oportunidade de aprendizagens de estratégias de ensino que podem ser empregadas nas ações docentes futuras.

Palavras-chave


Ensino de Física; Estratégias metacognitivas; Formação inicial de professores; Resolução de problemas

Texto completo:

PDF

Referências


Araujo, I. S., & Mazur, E. (2013). Instrução pelos colegas e ensino sob medida: uma proposta para o engajamento dos alunos no processo de ensino-aprendizagem de Física. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, 30(2), 362-384. DOI: 10.5007/2175-7941.2013v30n2p362

Bogdanovic, I., Obadovic, D. Z., Cvjeticanin, S., Segedinac, M., & Budic, S. (2015). Students' metacognitive awareness and physics learning efficiency and correlation between them. European Journal of Physics Education, 6(2), 18-30. Recuperado de http://www.eu-journal.org/index.php/EJPE/article/view/4

Brasil (1998). Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias. Brasília: Ministério da Educação. Recuperado de http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/ciencias.pdf

Brown, A. (1987). Metacognition, executive control, self-regulation, and other more mysterious mechanisms. Metacognition, motivation, and understanding, In F. E. Weinert, & R. H. Kluwe, (Eds.). Metacognition, motivation and understanding. (pp. 65-116). Hillsdale, New Jersey: Lawrence Erlbaum Associates.

Campanario, J. M. (2000). El desarrollo de la metacognición en el aprendizaje de las ciencias: estrategias para o profesor y actividades orientadas al aluno. Enseñanza de las Ciencias, 18(3), 369-380. Recuperado de https://www.raco.cat/index.php/Ensenanza/article/view/21685/21519

Campanario, J. M., & Otero, J. (2000). Más allá de las ideas previas como dificultades de aprendizaje: las pautas de pensamiento, las concepciones epistemológicas y las estrategias metacognitivas de los alumnos de ciencias. Enseñanza de las Ciencias, 18(2), 155-169. Recuperado de https://www.raco.cat/index.php/Ensenanza/article/view/21652/21486

Chi, M., Glaser, R., & Rees, E. (1982). Expertise in problem solving. In R. Sternberg (Ed.). Advances in the psychology of human intelligence. v. 1. Hilsdale, N. J.: Erlbaum.

Clement, L. (2004). Resolução de problemas e o ensino de procedimentos e atitudes em aulas de Física. 2004. (Dissertação de Mestrado em Educação). Programa de Pós-Graduação em Educação, Centro de Educação, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria.

Coleoni, E. A., Otero, J. C., Gangoso, Z., & Hamity, V. H. (2016). La construcción de la representación en la resolución de un problema de física. Investigações em Ensino de Ciências, 6(3), 285-298. Recuperado de https://www.if.ufrgs.br/cref/ojs/index.php/ienci/article/view/577/368

Couceiro Figueira, A. P. (2003). Metacognição e seus contornos. Revista Iberoamericana de Educación, Recuperado de http://rieoei.org/deloslectores/446Couceiro.pdf

Couceiro Figueira, A. P. (2006). Estratégias cognitivo/comportamentais de aprendizagem: problemática conceptual e outras rubricas. Revista Iberoamericana de Educación, 37(6), 1-20. https://rieoei.org/RIE/article/view/2680

Coll, C. (1986). Acción, interacción y construcción del conocimiento en situaciones educativas. Revista de Educación, 279, 9-23. Recuperado de http://redined.mecd.gob.es/xmlui/bitstream/handle/11162/70070/00820073003381.pdf

Davis, C., Nunes, M. R., & Nunes, C. A. A. (2005). Metacognição e sucesso escolar: articulando teoria e prática. Cadernos de Pesquisa, 35(125), 205-230. Recuperado de http://www.scielo.br/pdf/cp/v35n125/a1135125.pdf

Dufresne, R. J., Leonard, W. J., & Gerace, W. J. (2002). Marking sense of students' answers to multiple-choice questions. The Physics Teacher, 40(3), 174-180. Recuperado de https://srri.umass.edu/sites/srri/files/dufresne-2002mss/index.pdf

Efklides, A. (2006). Metacognition and affect: What can metacognitive experiences tell us about the learning process? Educational Research Review, 1(1), 3-14. DOI: 10.1016/j.edurev.2005.11.001

Flavell, J. H. (1976). Metacognitive aspects of problem solving. In L. B. Resnick (Ed.). The nature of intelligence. (pp. 231-236). Hillsdale, New Jersey: Lawrence Erlbaum Associates.

Flavell, J. H., & Wellman, H. M. (1977). Metamemory. In R. V. Kail, & J. W. Hagen (Eds.). Perspectives on the development of memory and cognition. (pp. 3-33). Hillsdale, New Jersey: Lawrence Erlbaum Associates.

Flavell, J. H. (1979). Metacognition and cognitive monitoring: a new area of cognitive - developmental inquiry. American Psychologist, 34(10), 906-911. DOI: 10.1037/0003-066X.34.10.906

Flavell, J. H., Miller, Patricia H., & Miller, S. A. (1999). Desenvolvimento cognitivo. Tradução de Cláudia Dornelles. (3a ed.). Porto Alegre: Artes Médicas Sul.

Hinojosa, J., & SanmartIi, N.(2016). Promoviendo la autorregulación en la resolución de problemas de Física. Ciência & Educação, 22(1), 7-22. DOI: 10.1590/1516-731320160010002

Jacobowitz, T. (1990) AIM: a metacognitive strategy for constructing the main idea of text. Journal of Reading, 33(8), 620-624.

Malone, K. L. (2008). Correlations among Knowledge Structures, Force Concept Inventory, and Problem-Solving Behaviors. Physical Review Special Topics - Physics Education Research, 4(2), 020107-1--020107-15. DOI: 10.1103/PhysRevSTPER.4.020107

Martínez-Losada, C., García-Barros, S., Mondelo-Alonso, M., & Vega-Marcote, P. (1999). Los problemas de lápiz y papel en la formación de profesores. Enseñanza de las Ciencias, 17(2), 211-225. Recuperado de https://www.raco.cat/index.php/Ensenanza/article/view/21574/21408

Meneses Villagrá, J. Á. (2018). Estrategias didácticas para la resolución de problemas en Física. In J. Á. Meneses-Villagrá, & M. J. F. Gebara (Orgs.). Estrategias didácticas para la enseñanza de la Física (pp. 19-41). Burgos, España: Editora da Universidad de Burgos.

Monereo, C., Pozo, J. I., & Castelló, M. (2001). La enseñanza de estrategias de aprendizaje en el contexto escolar. Psicología de la educación escolar, 2, 235-258. Recuperado de https://www.researchgate.net/profile/Carles_Monereo/publication/261082782

Monereo, C. (2001). La enseñanza estratégica: enseñar para la autonomía. In C. Monereo. Ser estratégico y autónomo aprendiendo. (pp. 11-27). Barcelona: Graó.

Monereo, C., & Castelló, M. (1997). Las estrategias de aprendizaje: cómo incorporarlas a la práctica educativa. Barcelona: Edebé.

Monereo, C., Badia, M. C., Muntada, M. C., Muñoz, M. P., & Cabaní, M. L. P. (1994). Estrategias de enseñanza y aprendizaje: formación del profesorado y aplicación en la escuela. Madrid: Graó.

Moser, S., Zumbach, J., & Deibl, I. (2017). The effect of metacognitive training and prompting on learning success in simulation‐based physics learning. Science Education, 101(6), 944-967. DOI: 10.1002/sce.21295

Muñoz, Á. V. (2017). ¿Qué hay de nuevo en la metacognición? Una revisión del concepto y su aplicación en los procesos de lectura y escritura. Venezuela. Recuperado de https://www.researchgate.net/publication/306079274

Peduzzi, L. O. Q. (1997). Sobre a resolução de problemas no ensino da Física. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, 14(3), 229-253. DOI: 10.5007/%25x

Pozo, J. I., & Postigo, Y. (2000). Los procedimientos como contenidos escolares: uso estratégico de la información. Barcelona: Edebé.

Ribeiro, C. (2003). Metacognição: um apoio ao processo de aprendizagem. Psicologia: reflexão e crítica, 16(1), 109-116. Recuperado de http://www.scielo.br/pdf/%0D/prc/v16n1/16802.pdf

Ribeiro, C. A. G. (2017). Habilidades metacognitivas envolvidas na resolução de problemas em física: investigando estudantes com expertise. (Monografia. Trabalho Final de Curso). Universidade de Passo Fundo, 2017.

Rosa, C. T. W. (2001). Laboratório didático de Física da Universidade de Passo Fundo: concepções teórico-metodológicas. (Dissertação de Mestrado em Educação). Universidade de Passo Fundo, Passo Fundo.

Rosa, C. T. W., & Pinho-Alves, J. (2009). A dimensão metacognitiva na aprendizagem em Física: relato das pesquisas brasileiras. Revista Electrónica de Ensenãnza de las Ciencias, 8(3), 1117-1139. Recuperado de http://reec.uvigo.es/volumenes/volumen8/ART19_Vol8_N3.pdf

Rosa, C. T. W. (2011). A metacognição e as atividades experimentais no ensino de Física. (Tese de Doutorado em Educação Científica e Tecnológica). Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis. Recuperado de https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/95261/290643.pdf

Rosa, C. T. W. (2014). Metacognição no ensino de Física: da concepção à aplicação. Passo Fundo: UPF Editora. Recuperado de http://editora.upf.br/images/ebook/metacognicao_ensino_fisica.pdf

Rosa, C. T. W., & Rosa, Á. B. (2016). Ensino de Física por estratégias metacognitivas: análise da prática docente. Revista Electrónica de Investigación en Educación en Ciencias, 11(1) 1-7. Recuperado de http://www.redalyc.org/html/2733/273346440001/

Rosa, C. T. W., Darroz, L. M., & Rosa, Á. B. (2014). A ação didática como ativadora do pensamento metacognitivo: a análise de um episódio fictício no ensino de Física. Alexandria: Revista de Educação em Ciência e Tecnologia, 7(1), 3-22. DOI: 10.5007/%25x

Rosa, C. T. W., Santos, A. C., & Ribeiro, C. (2017). Pensamento metacognitivo em estudantes do ensino médio: elaboração, validação e aplicação de um instrumento. In Anais do IV Congresso Internacional de Educação Científica e Tecnológica, Santo Ângelo. Recuperado de http://www.santoangelo.uri.br/anais/ciecitec/2017/resumos/comunicacao/trabalho_2742.pdf

Ryan, Q. X., Frodermann, E., Heller, K., Hsu, L., & Mason, A. (2016). Computer problem-solving coaches for introductory physics: Design and usability studies. Physical Review Physics Education Research, 12(1), 0101051-17. DOI: 10.1103/PhysRevPhysEducRes.12.010105

Sanjosé, V., & Gangoso, Z. (2007). Fuentes de obstáculos en resolución de problemas en Física. In Anais da 92ª Reunión Nacional de Física. (pp. 160-161). Salta, Argentina.

Schoenfeld, A. H. (1987). What’s all the fuss about metacognition. In A. H. Schoenfeld. Cognitive science and mathematics education (pp. 189-215). Hillsdale, New Jersey: Lawrence Erlbaum Associates.

Sousa, C. M., Fávero, M. H. (2002). Um estudo sobre resolução de problemas de Física em situação de interlocução entre um especialista e um novato. In Anais do Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, 8, 2002. Águas de Lindóia, São Paulo: Sociedade Brasileira de Física.

Taasoobshirazi, G., & Farley, J. A. (2013). Multivariate Model of Physics Problem Solving. Learning and Individual Differences, 24, 53-62. DOI: 10.1016/j.lindif.2012.05.001

Thomas, G. P. (2013). Changing the metacognitive orientation of a classroom environment to stimulate metacognitive reflection regarding the nature of physics learning. International Journal of Science Education, 35(7), 1183-1207. DOI: 10.1080/09500693.2013.778438

Triviños, A. N. S. (1994). Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. (4a ed.). São Paulo: Atlas.

Veenman, M. V. J., van Hout-Wolters, B. H. A. M., & Afflerbach, P. (2006). Metacognition and learning: Conceptual and methodological considerations. Metacognition and Learning, 1(1), 3-14. DOI: 10.1007/s11409-006-6893-0

Werner, C. T., & Otero, J. (2015). A influência da autoridade epistémica e da competência autopercebida no julgamento de estudantes sobre a compreensão da ciência. In Anais do Encontro Nacional de Educação em Ciências, 16. Lisboa - Portugal.

White, R. T. (1990). Metacognition. In Keeves, J. (Org.). Educational research, methodology and measurement: an international handbook (pp. 70-75). Oxford: PP.

Yin, R. K. (2015). Estudos de caso: planejamento e métodos. Porto Alegre: Bookman.

Zabalza, M. A. (1994). Diários de aula: contributo para o estudo dos dilemas práticos dos professores. Porto: Porto Editora.

Zepeda, C. D., Richey, J. E., Ronevich, P., & Nokes-Malach, T. J. (2015). Direct instruction of metacognition benefits adolescent science learning, transfer, and motivation: An in vivo study. Journal of Educational Psychology, 107(4), 954-970. DOI: 10.1037/edu0000022

Zohar, A., & Barzilai, S. (2013). A review of research on metacognition in science education: current and future directions. Studies in Science Education, 49(2), 121–169. DOI: 10.1080/03057267.2013.847261




DOI: http://dx.doi.org/10.22600/1518-8795.ienci2018v23n3p31

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.

Revista Investigações em Ensino de Ciências (IENCI) - ISSN: 1518-8795 

Creative Commons License