REPRESENTAÇÕES NÃO LINGUÍSTICAS E JOGOS COOPERATIVOS COMO ESTRATÉGIA DE ENSINO E APRENDIZAGEM DA BIOLOGIA CELULAR

Gabriel Mathias Carneiro Leão, André Andrian Padial, Marco Antonio Ferreira Randi

Resumo


Enquanto as aulas expositivas têm assegurado seu lugar de destaque nas práticas docentes, metodologias diferenciadas são utilizadas de maneira tímida em sala de aula. Representações não linguísticas e jogos cooperativos são alternativas que podem promover o protagonismo e a participação ativa dos estudantes, facilitando o processo de ensino e aprendizagem. Para avaliar o potencial didático dessas estratégias, aulas de Biologia Celular foram desenvolvidas com estudantes do 1º ano do ensino médio em escolas públicas no Paraná. As turmas foram organizadas em grupos que participaram de aulas expositivas, onde os professores utilizaram a exposição oral ilustrada como metodologia de ensino; representações não linguísticas (RNL), que envolveu a construção de modelo tridimensional e a confecção de um cartaz bidimensional; ou aprendizagem cooperativa, realizada através de aventuras de Role-Playing Game (RPG). Os estudantes foram avaliados antes das aulas, e em curto e médio prazos posterior às aulas. Nas avaliações por questões e por mapas conceituais, os melhores resultados foram alcançados pelos estudantes que participaram dos grupos das RNL e RPG, indicando um aprendizado mais efetivo e significativo. Além dos resultados positivos em relação à performance em curto e em médio prazo, as metodologias diferenciadas tiveram boa aceitação por parte dos estudantes e professores.


Palavras-chave


Estratégias de ensino e aprendizagem; Aulas expositivas; Jogos cooperativos; Representações não linguísticas; Ensino da Biologia Celular

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