IDENTIFICAÇÃO DE ATITUDES INVESTIGATIVA E CIENTÍFICA: UM ESTUDO DE CASO EM UM AMBIENTE INTERATIVO DE APRENDIZAGEM

Michelle Camara Pizzato, Lediane Chagas Marques, Patrik de Souza Rocha, Marcelo Diedrich de Souza, Clarice Monteiro Escott, Júlio Xandro Heck

Resumo


Este trabalho teve por objetivo analisar as características associadas às atitudes investigativa e científica desencadeadas em um Ambiente Interativo de Aprendizagem (AIA) presencial em grupos de estudantes de Educação Básica (Ensino Fundamental e Ensino Médio). Os AIA são ambientes de aprendizagem planejados para oferecer situações-problema e recursos aos participantes, de modo que eles possam, ao interagir com tais recursos, expressar suas ideias e conhecimentos atitudinais a fim de resolver o problema proposto. Para a análise, foram elaborados um conjunto de categorias (atributos) fruto de levantamento bibliográfico em periódicos da área de educação em ciências. Os atributos identificados ao longo das atividades em todos os grupos foram: racionalidade, objetividade, respeito pela evidência, colaboração, precisão, curiosidade, criatividade, mentalidade crítica, ceticismo e parcimônia. Destes, a racionalidade foi identificada como categoria coocorrente a todas as demais. Tais atributos são associados à natureza de cada atividade realizada no AIA, assim como são analisados os atributos não identificados. Os resultados obtidos indicam a validade do AIA como recurso didático propício para o desencadeamento de atitudes investigativa e científica em todos os grupos pesquisados, podendo ter seu impacto ampliado de acordo com a natureza das atividades inscritas nele.

Palavras-chave


atitude investigativa; atitude científica; Ambiente Interativo de Aprendizagem

Texto completo:

PDF

Referências


Abd-el-Khalick, F., Boujaoude, S., Duschl, R., Lederman, N., Mamlok-Naaman, R., Hofstein, A., Niaz, M., Treagust, D. & Tuan, H. (2004). Inquiry in Science Education: International Perspectives. Science Education, 88(3), 397-419. DOI: 10.1002/sce.10118

Barbosa, R. G., & Batista, I. L. (2011). A criatividade como uma referência para discutir as bases da ciência e do seu ensino. In Anais do VIII Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências. Campinas, SP, Brasil. Recuperado de http://www.nutes.ufrj.br/abrapec/viiienpec/resumos/R1723-1.pdf.

Berger, R. & Hänze, M. (2009). Comparison of Two Small-group Learning Methods in 12th-grade Physics Classes Focusing on Intrinsic Motivation and Academic Performance. International Journal of Science Education, 31(11), 1511-1527. DOI: 10.1080/09500690802116289

Block, S., Paulet, S., & Lemeignan, M. (1994). Reproducing emotion-specific effector patterns: a bottom-up method for inducing emotions (Alba Emoting™). In Proceedings of the VIII th Conference of the International Society for Research on Emotions (pp.194-199). Cambridge, Inglaterra.

Brasil (2013). Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais da Educação Básica/ Ministério da Educação. Brasília: MEC, SEB, DICEI. Recuperado de http://portal.mec.gov.br/docman/julho-2013-pdf/13677-diretrizes-educacao-basica-2013-pdf/file

Bonnet, C. (2000). The relevance of role-playing in environmental education. In International Symposium BioEd (Paris, França). Recuperado de http://www.iubs.org/cbe/cbe_paper_index.html

Chauí, M. (2000). Convite à Filosofia. São Paulo: Ática.

Coll, C., Pozo, J. I., Sarabia, B., Valls, E. (1992). Los contenidos en la reforma: Enseñanza y aprendizaje de conceptos, procedimentos y actitudes. Madrid: Santillana.

Cronin-Jones, L. (2000). Science scenarios: using role-playing to make science more meaningful. The Science Teacher, 67(4), 48-52. Recuperado de www.jstor.org/stable/24153822

Cupani, A. (1989). A objetividade científica como problema filosófico. Caderno Catarinense de Ensino de Física, 6(especial), 18-29. Recuperado de https://periodicos.ufsc.br/index.php/fisica/article/view/10067/14908

Dani, D. N. (1989). Scientific Attitude and Cognitive Styles. Nova Delhi: Northern Book Centre.

Denzin, N. K. (1988). Triangulation in educational research. In Keeves, J. P. (Ed.) Educational research, methodology, and measurement. An international handbook (pp. 318-322). Oxford: Pergamon Press.

Di Mauro, M. F., Furman, M. & Bravo, B. (2015). Las habilidades científicas en la escuela primaria: un estudio del nivel de desempeño en niños de 4. año. Revista Eletrónica de Investigación en Educación en Ciencias, 10(2), 1-10. Recuperado de http://www.scielo.org.ar/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1850-66662015000200001

Duveen, J., & Solomon, J. (1994). The great evolution trial: use of role-play in the classroom. Journal of Research in Science Teaching, 31(5), 575-582. DOI: 10.1002/tea.3660310510

Ferreira, A. B. H. (1999). Aurélio século XXI: o dicionário da língua portuguesa. (3a. ed.) Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

Ferreira, T. A. S. (2015). Entendimento, conhecimento e autonomia: Virtudes Intelectuais e o Objetivo do Ensino de Ciências. (Tese de Doutorado). Programa de Pós-Graduação em Ensino, História e Filosofia das Ciências, Universidade Federal da Bahia, Salvador.

Feyerabend, P. (1977). Contra o método. Rio de Janeiro: Francisco Alves.

Flegg, R. B., & Hukins, A. A. (1973). The measurement of a scientific attitude – curiosity. Research in Science Education, 3(1), 69-74. DOI: 10.1007/BF02558559

Franco, M. L. P. B. (2003). Análise de conteúdo. Brasília: Plano Editora.

Furnham, A., & Marks, J. (2013). Tolerance of Ambiguity: A Review of the Recent Literature. Psychology, 4(9), 717-728. DOI: 10.4236/psych.2013.49102

Gobert, J. D., Kim, Y. J., Sao Pedro, M. A., Kennedy, M., & Betts, C. G. (2015). Using educational data mining to assess students’ skills at designing and conducting experiments within a complex systems microworld. Thinking Skills and Creativity, 18, 81–90. DOI: 10.1016/j.tsc.2015.04.008

Jackson, P. T., & Walters, J. P. (2000). Role-playing in analytical chemistry: the alumni speak. Journal of Chemical Education, 77(8), 1019-1024. DOI: 10.1021/ed077p1019

Krippendorff, K. (1990). Metodología de análisis de contenido: teoría y práctica. Barcelona: Ediciones Paidós.

Lacap, M. P. (2015). The Scientific Attitudes of Students Major In Science in the New Teacher Education Curriculum. Asia Pacific Journal of Multidisciplinary Research, 3(5), 7-15. Recuperado de http://www.apjmr.com/wp-content/uploads/2016/04/APJMR-2015-3.5.3.02.pdf

Lé Sénéchal-Machado, A. M. (1997). O processo de persuasão e o comportamento de persuadir. Psicologia: Ciência e Profissão, 17(3), 28-34. DOI: 10.1590/S1414-98931997000300005

Lee, V. (2011). The power of inquiry as a way of learning. Innovative Higher Education, 36, 149-160. DOI: 10.1007/s10755-010-9166-4

Maier, H. W. (1991). Role playing: Structures and educational objectives. Journal of Child and Youth Care, 6(4), 145-150.

Martins, A. M. (2002). Autonomia e educação: a trajetória de um conceito. Cadernos de Pesquisa, 115, 207-232. DOI: 10.1590/S0100-15742002000100009

Maturana, H. (2005). El sentido de lo humano. Santiago de Chile: J. C. Saéz Editor.

Moraes, R. (1999). Análise de conteúdo. Revista Educação, 22(37), 7-32.

Mukhopadhyay, R. (2014). Scientific attitude – some psychometric considerations. IOSR Journal Of Humanities And Social Science, 19(1), 98-100. Recuperado de http://iosrjournals.org/iosr-jhss/papers/Vol19-issue1/Version-7/Q0191798100.pdf?id=8771

Muñoz Cabas, D., Aular de Durán, J., Reyes, L. M., & Leal, M. (2010). Actitud investigativa en estudiantes de pregrado: indicadores conductuales, cognitivos y afectivos. Multiciencias, 10, 254-258. Recuperado de http://www.redalyc.org/html/904/90430360040/

Oliveira, M. B. (2011). Formas de autonomia da ciência. Scientia Studia, 9(3), 527-561. DOI: 10.1590/S1678-31662011000300005

Oluwatelure, T. A. (2015). Gender difference in achievement and attitude of public Secondary School students towards Science. Journal of Education and Practice, 6(2), 87-92. Recuperado de https://files.eric.ed.gov/fulltext/EJ1083799.pdf

Panneerselvam, M., & Muthamizhselvan, M. (2015). The Secondary School students in relation to Scientific Attitude and Achievement in Science. IOSR Journal of Research & Method in Education, 5(2), 5-8. Recuperado de http://www.iosrjournals.org/iosr-jrme/papers/Vol-5%20Issue-2/Version-1/B05210508.pdf

Paula, J. (1996). Refletindo sobre o jogo. Motriz, 2(2), 86-96.

Pitafi, A. I., & Farooq, M. (2012). Measurement of scientific attitude of secondary school students in Pakistan. Academic Research International, 2, 379-392.

Pitano, S. C., & Ghiggi, G. (2009). Autoridade e liberdade na práxis educativa: Paulo Freire e o conceito de autonomia. Saberes – Revista Interdisciplinar de Filosofia e Educação, 2(3), 80-93. Recuperado de https://periodicos.ufrn.br/saberes/article/view/578/527

Pizzato, M. C., Escott, C. M., Souza, M. D., Rocha, P. S., Marques, L. C. (no prelo). O que são atitudes investigativa e científica, afinal? Revista Brasileira de Ensino de Ciência e Tecnologia.

Popper, K. (1975). O conhecimento científico. Belo Horizonte: Itatiaia Editora.

Porlán, R. (1993). Constructivismo y escuela. Hacia un modelo de enseñanza-aprendizaje basado en la investigación. Sevilha: Díada.

Rao, D. B. (2003). Scientific attitude. Nova Delhi: Discovery Publishing.

Rao, D. B. (2011). Scientific attitude, scientific aptitude and achievement. Nova Delhi: Discovery Publishing.

Razera, J. C. C., & Nardi, R. (2016). Ética no ensino de ciências: responsabilidades e compromissos com a evolução moral da criança nas discussões de assuntos controvertidos. Investigações em Ensino de Ciências, 11(1). Recuperado de http://www.if.ufrgs.br/public/ensino/vol11/n1/v11_n1_a3.html

Reyes, L. M., Aular de Durán, J., Palencia Piña, J., & Muñoz Cabas, D. (2010). Una visión integradora de la investigación estudiantil en pregrado. Revista de Ciencias Sociales, 16(2), 251-259. Recuperado de http://produccioncientificaluz.org/index.php/rcs/article/view/13748/13731

Rieber, L.P., Matzko, M.J. (2001). Serious design for serious play in physics. Educational Technology, 41(1), 14-24.

Rieber, L.P., Smith, L., Noah, D. (1998). The value of serious play. Educational Technology, 38(6), 29-37.

Sebastiany, A. P. (2013). Desenvolvimento de attitude investigative em um ambiente interativo de aprendizagem para o ensino informal de ciências. (Dissertação de Mestrado em Educação em Ciências – Química da Vida e Saúde. Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Sebastiany, A. P., Pizzato, M. C., & Salgado, T. D. M. (2015). Aprendendo a investigar através de uma atividade investigative sobre Ciência Forense e Investigação Criminal. Revista Brasileira de Ensino de Ciência e Tecnologia, 8(4), 252-287. Recuperado de https://periodicos.utfpr.edu.br/rbect/article/view/1375/2530

Sober, E. (1981). The Principle of Parsimony. The British Journal for the Philosophy of Science, 32(2), 145-156. Recuperado de http://www.jstor.org/stable/687195

Toulmin, S. (1977). La comprensión humana, Vol.1. El uso colectivo y la evolución de los conceptos. Madrid: Alianza.

Trumbore, C. R. (1974). A role-playing exercise in general chemistry. Journal of Chemical Education, 51(2), 117-118. DOI: 10.1021/ed051p117

University of Cambridge (1995). Cambridge international dictionary of english. Cambridge: Cambridge University Press.

Wang, J., Guo, D., & Jou, M. (2015). A study on the effects of model-based inquiry pedagogy on students’ inquiry skills in a virtual physics lab. Computers in Human Behavior, 49, 658–669. DOI: 10.1016/j.chb.2015.01.043

Wareing, C. (1981). Cognitive style and developing scientific attitudes in the SCIS classroom. Journal of Research in Science Teaching, 18(1), 73-77. DOI: 10.1002/tea.3660180112

Whisnant, D.M. (1992). A role-playing exercise using a computer simulation. Journal of Chemical Education, 69(1), 42-43. DOI: 10.1021/ed069p42

Yin, R. K. (2005). Estudo de caso – planejamento e métodos. Porto Alegre: Bookman, (3a. ed.).

Zabala, A. (1998). A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: ArtMed.




DOI: http://dx.doi.org/10.22600/1518-8795.ienci2018v23n3p258

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.

Revista Investigações em Ensino de Ciências (IENCI) - ISSN: 1518-8795 

Creative Commons License