A LINGUAGEM LATEX E O ENSINO DE FÍSICA PARA ALUNOS COM DEFICIÊNCIA VISUAL

Julio Cesar Queiroz de Carvalho, Sheila Gonçalves do Couto, Eder Pires de Camargo

Resumo


Ao pensarmos o Ensino de Física para alunos com deficiência visual, a linguagem matemática mostra-se desafiadora, pois sua sintaxe bidimensional restringe-a a uma “cultura de videntes”. Com o desenvolvimento dos ledores de tela, tornou-se possível o acesso ao computador por pessoas com deficiência visual. No entanto a linguagem matemática convencional oferece certas barreiras à acessibilidade. Nosso objetivo foi investigar as possibilidades e limitações ao se introduzir a linguagem LaTeX no contexto ativo de leitura e resolução de exercícios de Física por parte de alunos com deficiência visual, por meio de um computador associado a um ledor de tela. À luz do referencial de Vigotski, em que a linguagem tem um papel central tanto do ponto de vista do processo de mediação simbólica quanto no mecanismo de compensação sócio-psicológica de pessoas com deficiência visual, o trabalho foi estruturado sob as bases da pesquisa qualitativa, sendo a interpretação dos dados baseada na Análise do Discurso em Bakhtin. Ao introduzirmos a Linguagem LaTeX no contexto da leitura e resolução de exercícios de Física por um aluno do ensino médio de uma escola pública, a associação entre LaTeX e ledor de tela não somente mostrou-se acessível como compreensível, revelando um potencial na diminuição das barreiras da acessibilidade à textos de Física por meio do computador.

Palavras-chave


Linguagem LaTeX; deficiência visual; Ensino de Física; computador; ledores de tela

Texto completo:

PDF

Referências


Bakhtin, M. (2011). Estética da criação verbal. São Paulo, SP: Martins Fontes.

Baldwin, R. (2011, n.d). Accessible physics concepts for blind students. Recuperado de http://cnx.org/content/col11294/1.35/

Bauer, M. W., & Gaskell, G. (Org.) (2004). Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: um manual prático. Petrópolis, RJ: Vozes.

Ferreira, H., & Freitas, D. (2006). Leitura de fórmulas matemáticas para cegos e amblíopes: A aplicação AudioMath. In Atas do IV Congresso Ibero-americano de Tecnologia de Apoio. (p. 137-142). Vitória, ES.

Gaspar, A. (2004). Física: Série Brasil. São Paulo, SP: Ática.

Karshmer, A. I. ,& Bledsoe, D. F. (2007). Acess to mathematics by blind students: a global problem. San Francisco, CA: USF Scholarchip Repository. Recuperado de http://repository.usfca.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1011&context=at

Masini, E. F. S. (1994). Impasses sobre o Conhecer e o Ver. In E. F. S. Masini (Org.). O perceber e o relacionar-se do deficiente visual: orientando professores especializado. Brasília, DF: Corde.

Meira, J. N. B. , Ferracini, C. C., Gimenes, A. L. M. Neves, F. H. D. Simonassi, R., & Pimentel, E. P. Uma ferramenta de autoria de materiais instrucionais com símbolos matemáticos acessíveis a deficientes visuais. In Anais do XIX Simpósio Brasileiro de Informática na Educação. (p. 756-765.). Fortaleza, CE.

Parry, M. Brazier, M., & Fischbach, E. (1997). Teaching college Physics to a blind student. The physics teacher, 35(8), 470-474.

Rego, T. C. (2011). Vygotsky – Uma perspectiva histórico-cultural da educação. Petrópolis, RJ: Vozes.

Santos, R. J. (2012). Introdução ao Latex. Recuperado de http://www.mat.ufmg.br/~regi

Tato, A. L. (2009). Material de equacionamento tátil para usuários do sistema braile. (Dissertação de Mestrado). Centro Federal de Educação Tecnológica. Rio de Janeiro, RJ

Teixeira, E. (2011). As três metodologias: Acadêmica, da ciência e da pesquisa. Petrópolis, RJ: Vozes.

Teixeira, P. (2014). Software feito na Unicamp ajuda no ensino de matemática para deficientes. Recuperado de http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2014/11/software-feito-na-unicamp-ajuda-no-ensino-de-matematica-para-deficientes.html

Vaz, C. L. D. (2001). Aprendendo Latex (Apostila desenvolvida pelo Labmac-UFPA). Recuperado de http://www.lac.inpe.br/~margarete/download/MET200.../apostilalatexpdf.pdf

Vigotski, L. S. (1997). El nino ciego. In L. S. Vigotski (Org.). Obras escogidas V – Fundamentos de defectología (p. 9-113). Madri: Visor.

_____. (2007). A formação social da mente. São Paulo, SP: WMF Martins Fontes.

_____. (2010). A construção do pensamento e da linguagem. São Paulo, SP: WMF Martins Fontes.




DOI: http://dx.doi.org/10.22600/1518-8795.ienci2018v23n2p424

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.

Revista Investigações em Ensino de Ciências (IENCI) - ISSN: 1518-8795 

Creative Commons License