O ciclo dos Bárions no Universo

Participo, a partir de amanhã, da reunião científica do Giant Magellan Telescope, aqui em Carlsbad, Califórnia, para falar de captura e ejeção de matéria por Buracos Negros Supermassivos. Este fenômeno tem um papel fundamental na evolução das galáxias no Universo, a faz parte do “ciclo de Bárions” no Universo, o tema da reunião. 

Os Bárions são as partículas mais “pesadas” que compõem a maior parte da matéria visível do Universo, sendo os mais conhecidos, os prótons e os nêutrons. Ao longo da evolução do Universo, os Bárions formados logo após o Big Bang, dão origem às primeiras estrelas e galáxias, bem como aos Buracos Negros Supermassivos no centro das galáxias. A evolução do Universo pode ser considerada como um ciclo continuado dos Bárions, que, à medida que o Universo evolui, são capturados por campos gravitacionais e também ejetados por estrelas supernovas, ventos e jatos associados à captura de matéria pelos Buracos Negros Supermassivos.

Participação na Reunião Magna da ABC – 9 de Maio de 2017

No dia 9 de Maio de 2017, estarei participando da Reunião Magna da Academia Brasileira de Ciências, quando terei a honra de apresentar a palestrante convidada Gabriela González (na foto acima, na sala de controle do Observatório LIGO – Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory), pesquisadora premiada por seu trabalho em Cosmologia e porta-voz da colaboração científica LIGO. Na oportunidade, a Dra. González  vai descrever os recentes episódios de detecção de ondas gravitacionais bem como o estado atual dos interferômetros LIGO e Virgo, bem como as perspectivas para as futuras observações.

Simulação de 2 Buracos Negros em órbita, prestes a colidir e fundir.

Pertinho do Buraco Negro Supermassivo

Publiquei recentemente com colaboradores, em especial o Dr. Jáderson Schimoia, no periódico Astrophysical Journal (2017ApJ…835..236S) um trabalho em que argumentamos que podemos ver, no espectro de um grande no. de galáxias ativas (aquelas em que o Buraco Negro está capturando matéria de seu entorno), emissão do gás do disco de acreção em torno do Buraco Negro Supermassivo. A figura acima mostra para tres casos os espectros (esquerda), junto com o perfil da componente que se origina no disco (centro) e um cartoon mostrando a distribuição do gás no disco derivada a partir do perfil.

Através deste trabalho demonstramos que as famosas “linhas largas” do espectro de galáxias ativas do tipo 1 (como as Seyfert 1) têm na marioria dos casos uma componente “disco” que pode ser identificada com as partes externas do disco de acreção. A geometria desta “região de linhas largas” tem sido um mistério por muitos anos e o fato de termos identificado uma componente discoidal permite que usemos este conhecimento para calcular de forma mais precisa a massa do Buraco negro.