Q U
A S
A R E
S
Em
um universo repleto de objetos
estranhos, os QUASARES (quasi-stellar radio sources),estão entre os mais
estranhos. No princípio
da década de 60 eram conhecidos como “rádio estrelas”. São difíceis de
localizar por serem muito distantes e aparecerem na fotos semelhantes a
estrelas. Mas é possível identificá-los pelo seu espectro
muito diferente de uma estrela. Cada
fonte de rádio observada estava associada com um estrela, por isso pensou-se
originalmente que os quasares (assim chamados porque sòmente parecem estrelas)
fossem objetos dentro da galáxia. Mas com o aumento da resolução dos
radiotelescópios foi constatado que a forte emissão de rádio parecia vir de
um par de lóbulos que cercam muitos destes objetos estelares, que os tornam
semelhantes as rádiosgaláxias ficando mais difíceis a sua identificação.

Cygnus
A (3C 405)
A subseqüente
descoberta de linhas de emissão com pequena ou
nenhuma emissão de rádio surgiu um grupo 20 vezes mais numerosos que os
quasares denominados QSO (quase-stellar source) muito parecido com os Quasares,
mas não emitem ondas de rádio.
O fato mais estranho a respeito dos quasares é seu redshift (desvio da
luz para o vermelho) que é muito elevados. Altos redshift
são indicativos da grande distância deles até a Terra.
O
redshift dos quasares mede a velocidade com que o universo se expande, é um
indicador de distâncias cósmicas. Quanto mais para o vermelho do espectro,
mais o objeto parece mover-se para longe de nós. Alguns quasares estão
afastando-se a uma velocidade de aproximadamente 0,9c, caso o desvio se deva
inteiramente ao Efeito Doppler, que causa mudança da luz para o vermelho do
espectro.
Para mais de 100 quasares observado
“z” está entre 0,16 e
3,53.
v /c = (z + 1)2 -
1/ (z + 1)2 + 1
Os quasares eram conhecidos como
“rádio-estrelas” porque o método que iria descobrir o primeiro quasar
estava baseado em coincidências entre uma fonte forte de rádio e uma fonte
ótica. O método inicial de seleção eram as fortes emissões de rádio,
depois qualquer objeto com excesso de azul ou ultra-violeta era considerado um
bom candidato a quasar. Recentemente evidências de porções próximas ao
espectro infravermelho indica que uma grande fração de quasares pode ser mais
luminosa dentro do infra-vermelho do que em outras faixas de comprimentos de onda.
Entre
as fontes de rádio compactas, detectada nos anos 60 inclui-se
3C 48, 3C 147, 3C 196, 3C 273, 3C 288. 3C é a abreviatura em inglês de
Terceiro catálogo de rádioestrelas de Cambridge, elaborado pelo astrônomo
britânico Martin Ryle (1918-1984).
Allan
Sandage, (1926 - ) descobriu que estas fontes localizavam-se em estrelas de 16ª
magnitude, era um fato fora do comum uma vez que estrelas não constituem fontes
de microondas detectáveis.
Em 1963 Maarten Schmidt (1929 - )da
CALTECH obteve o primeiro espectro
do 3C 273 usando o telescópio de 200” do Monte Palomar. As linhas do
espectro fotográfico obtido confundiram Schmidt durante meses antes que ele
reconhecesse as fortes emissões de linhas largas com as do ultra-violeta.
Schmidt concluiu, baseado no redshift de 0,158 que
não era uma estrela comum da galáxia, mas um objeto localizado a
aproximadamente 1 bilhão de anos-luz de distância, muito mais longe do que
qualquer galáxia já detectada possuindo uma magnitude aparente de 12,85 e
magnitude absoluta de –26,9.
O 3C 273 é o quasar mais próximo de nós. Atualmente são conhecidos
centenas deles, muitos com reshift bem mais alto.
|
Radio
and optical image of the jet from quasar
3C 273.
Helicoidal
ejections are
visible. (Bahcall
et al., 1995)
|
Gráfico do espectro do 3C 273 mostrando as características
das linhas de emissão do Hidrogênio.
As
grandes distâncias e o brilho extremo dos quasares insinuam tremenda produção
de energia.
Estudos
mostram que uma grande fração dessa energia não está sendo gerada em um
volume muito maior que o Sistema Solar.
O
modelo proposto para esta fonte de energia dos quasares é a acreção de matéria
sobre um grande Buraco Negro central de aproximadamente 100 milhões de massas
solares.
A matéria espirala-se,
abaixo do potencial gravitacional rompendo-se para formar um “disco de acreção”
ao redor do Buraco Negro. Para
suportar a luminosidade de um quasar típico é necessário uma “dieta” de
cerca de um Sol por ano.
Parte da matéria é ejetada por conservação de momento angular, quando toda a matéria for consumida cessará a emissão de energia.

Os quasares localizados na sua maioria a distâncias de bilhões de anos-luz de nós devem ter surgido há bilhões de anos no passado durante a juventude do universo. Nessa época, muitas galáxia jovens podem ter sofrido colapso em seu centro transformando-se em Buracos Negro. Só esse fato já sugere que o universo primordial era bem diferente do atual.
QUASARES
DE REDSHIFT ELEVADO
Donald Schneider
da Pennsylvania State
University (Filadélfia),
Abaixo temos o gráfico do espectro do quasar PC 1247 + 3406 descoberto em 1991.
(Redshift 4,8)

As
propriedades das linhas de emissão dão pistas sobre a história química do
universo. A maioria das linhas de emissão dos quasares são de elementos que não
se formaram no Big Bang como: Carbono, Oxigênio, Nitrogênio e Silicone, visto
que nos quasares mais distantes, são produzidos através da nucleosíntese de
caroços estelares.
Seria
uma explicação interessante para os quasares, que seriam produzidos pela formação
estelar explosiva dentro das galáxias elípticas. Isto resolve também o
problema da presença de Ferro nos
quasares:
a explosão de supernovas seria a única maneira de se formar esse elemento
ainda na infância do universo.

Este
gráfico nos mostra a evolução do número de quasares em função do tempo. Na
abcissa a idade do universo como uma fração da idade atual; as duas linhas
representam as medidas de redshift alto feita por Schneider ( tempo passado à
esquerda) e um estudo de quasares de baixo redshift (tempo presente à direita)
. Quando o universo era jovem haviam muitos quasares , a maioria morreu antes do
tempo presente.
A
relação mostrada neste gráfico tem um importante impacto no
mecanismo
de formação dos quasares.
Por
que todos morreram tão depressa?
Donald Lynden-Bell diz que: “os núcleos das galáxias são os cemitérios
dos quasares que vemos brilhando na aurora do universo”. Alguns astrônomos
acreditam que a medida que os quasares se apagam, as galáxias amadurecem e
herdam os Buracos Negros em seu núcleo.

O
gráfico anterior mostra como esta absorção varia com o redshift, há pouco
Hidrogênio intergaláctico neutro, e a maioria da radiação do quasar não é
afetada, mas se o redshift for maior que 4 mais da metade da luz do quasar não
chega até nós.
Estudado
por astrônomos da Caltech com observação dos Hale Telescope do Monte Palomar,
o Mayall Telescope de Kitt Peak e do Keck Observatory do Havaí onde foi
completado o estudo da análise espectral da luz.

O
MAIS DISTANTE QUASAR CONHECIDO
Segundo
publicação do Sloan Digital Sky Survey (SDSS) em 11 de julho de 2001 foi
detectado um quasar com redshift de
5,8 conhecido como SDSS J104433.04 –012501.2


Devido
ao “redshift” cosmológico muitas das características dos quasares mais
distantes são desviados para perto do infra-vermelho uma região do espectro
onde é sensivelmente reduzido os detalhes para estudo, para tal foi usado o
“Near Infrared Spectrograph (NICS).

O
resultado mais interessante é o blueshift característico da absorção do C
IV, caracterizando o objeto como uma linha de absorção larga. Este blueshift
é atribuído ao gás ejetado com velocidades de 10000 km/s. Esta descoberta
combinada com as recentes observações em raio X por satélite, sugere que o gás
ejetado obscurece o quasar como se fosse uma parede.
Cientistas
do SDSS detectaram ainda dois objetos, mais distantes que segundo Donald
Schneider da Pennsylvania State University
trata-se de dois quasares que teriam redshift de 6,0 e 6,2.
QUASARES
MAIS PRÓXIMOS
Segundo Anne Kinney do Space Telescope Science Institute de Baltimore: “É incomum encontrar um quasar na nossa época, pois todos os quasares descobertos até hoje, existiram no universo passado”.
A
descoberta de um quasar em Cygnus A ( 3C 405 ) e redshift 0,057 proporcionou a
oportunidade de estudar detalhadamente um objeto que para um telescópio
terrestre é apenas um ponto de luz, e que emite centenas de vezes mais energia
que uma galáxia inteira com mais de 100 bilhões de estrelas.
Os
espectros obtidos no ultra-violeta eram tão incomuns que os dados foram
estudados durante três meses antes de serem tiradas conclusões.
Kinney,
enfatiza que provavelmente é mais do que coincidência achar um quasar dentro
de uma rádiogaláxia próxima da Terra, o que poderia explicar as poderosas
emissões de rádio da mesma. Esta seria a oportunidade para estudar a
misteriosa maquina de energia por trás de um quasar.
..................... Optical + Radio
...................

Dos 15 quasares pesquisados pelo
HST, 11 não tiveram nenhuma nebulosidade detectada, e no 4 restantes era mais
fraca do que a esperada. Estes resultados eram notáveis no contexto da teoria
cosmológica a qual depende de uma galáxia anfitriã para alimentar um voraz
Buraco Negro com o alimento necessário para manter sua produção de energia.
Para esta pesquisa foi utilizada uma amostra de quasares com baixo redshift,
pois esperava-se que assim os objetos seriam mais facilmente visualizados.
Texto
elaborado por Margaret Busse Avancini ,para a disciplina: Tópicos de Astronomia galáctica,extragaláctica e cosmologia. UFRGS - 2002
REFERÊNCIAS
TIPLER.P.A.
& LIEWELLYN.R.A. Física Moderna, 3ªed.Aparecida SP,Ed.LTC ,2000
ASIMOV,I. 111 questões sobre a
Terra e o espaço. S.Paulo,
Best Seller,1991
OLIVEIRA,K.S. & SARAIVA,M.F.
Fundamentos de Astronomia
e Astrofísica, Porto
“Hubble uncovers a hidden quasar in a nearby galaxy
by Anne Kinney
“Naked Quasars” by JohnBahcall
“Frequently asked questions about quasars” by John Simonetti
“Quasars & Active Galaxies” by Gene Smith
“Survey for High Redshift quasar” by Donald Schneider
“Most distant quasar in the universe”
by NASA,JPL,Caltech
“Most distan objetcs observed” by SDSS
“NICS-TNG discovers an extremely powerful expanding wind in the most”
by ….
“The spectra of red quasars” by Paul Francis et alii.
“Sloan Digital Sky Survey finds most distant object ever observed” by
SDSS
“Redshift 5,8 quasar spectrum” by SDSS
“Astronomers announce discovery of the two most distant objects” by
Science Journal