FIS02012 - Cosmologia e Relatividade

Thaisa Storchi Bergmann

 

 

 

Relatividade Restrita:

 

Postulados:

 

1) Princípio da relatividade: As leis da física são as mesmas em todos os referenciais inerciais. Nenhum experimento pode medir a velocidade absoluta de nenhum referencial inercial (o éter não existe!). Referencial inercial significa não acelerado.

2)  Lei da propagação da luz: a luz se propaga no vácuo com velocidade c em todos os referenciais inerciais. Dois observadores em movimento relativo medirão a mesma velocidade para luz = c.

 

Estes dois postulados têm consequências como a contração do comprimento observado de  um objeto em movimento e a dilatação do tempo (paradoxo dos gêmeos: tempo passa lento para observador do que para objeto em movimento). Ou seja, não existe espaço nem tempo absoluto.

 

Coordenadas:  t, x, y, z;  o tempo é colocado em pé de igualdade com as outras coordenadas→espaço-tempo.

 

Define-se: evento como sendo qualquer acontecimento cujas coordenadas são medidas (t, x, y, z).

 

Transformação de coordenadas:

 

Sejam dois referenciais inerciais:  S (t,x,y,z) e S’(t’,x’,y’,z’), S’ se movendo com velocidade v em relação a S:

 

 

Transformações de Galileu:

 

 

Simultaneidade Newtoniana: se dois eventos são simultâneos num certo referencial inercial (RI), eles são simultâneos em todos os RIs.

 

Por volta de 1860, Maxwell formula sua teoria sobre a luz, contendo uma hipótese implícita: a luz, como todas as ondas mecânicas, necessita de um meio material para se propagar – o “éter”. A velocidade da luz medida como sendo c é em relação ao éter. O referencial do éter seria um referencial “absoluto”.

 

Grande desafio do fim do século XIX e início do século XX: detectar o éter e medir suas propriedades. Em 1887 foi realizado o principal experimento, por Michelson e Morley, que não conseguiu detectar a presença do éter.  O físico alemão Hendrick Lorentz, acreditando no éter, elaborou uma teoria em que efeitos de contração dos comprimentos e de dilatação do tempo conspiravam para que não consigamos detectar o éter, as famosas “trasnformações de Lorentz”. Einstein, em 1905, concluiu que o éter não existia e que as transformações de coordenadas entre dois referenciais inerciais são dadaas pelas transformações de Lorentz.

 

Transformações de Lorentz:

 

 

onde γ é o “fator de Lorentz”.

 

As transformações de Lorentz são necessárias para manter a forma da equação da onda de Maxwell.

Exercício: Mostre que a equação da onda abaixo não mantém a sua forma no referencial S’ com uma transformação de Galileu (t’=t e x’=x-vt), mas mantém a sua forma com uma transformação de Lorentz.

 

 

Foi justamente o problema de manter as equações de Maxwell invariantes que levou Lorentz a propor as suas transformações.

 

Propriedades das transformações de Lorentz

 

1) Relatividade da simultaneidade: 2 eventos que acontecem num mesmo instante num dado referencial, não correspondem necessariamente a eventos simultâneos em outro referencial.

2)   Limite Newtoniano: fazendo c→∞, as transformações concordam com as de Galileu.

3)  Transformações das diferenças: como as transformações de Lorentz são lineares e homogêneas, tem-se que:

 

 

 

            Ou

 

 

 

4)   Invariância do intervalo: pode-se demonstrar que:

 

 

 

            Definido:

 

 

como a distância entre dois eventos no espaço-tempo, verifica-se que as transformações de Lorentz deixam esta distância Δs2 invariante.

 

Consequências da Relatividade Restrita: cinemática relativística:

 

1)      Contração dos comprimentos: seja um bastão de comprimento L0 no referencial S’:

 

 

 

Queremos medir seu comprimento no referencial S, então, as suas extremidades devem ser observadas simultaneamente em S. Para dois eventos simultâneos em S devemos ter:

 

 

Ou seja, como γ>1, o comprimento medido L é menor do que o “comprimento próprio” L0. Comprimento próprio é aquele medido no referencial em que o objeto está em repouso.

 

2)      Dilatação do tempo:

 

Na mesma situação acima de um referencial S’ se movendo com velocidade v em relação a um referencial S, um intervalo de tempo Δt’=T0 (tempo próprio: tempo no referencial em que o relógio está em repouso) em S’, é medido em S de acordo com as transformações inversas de Lorentz:

lorentz_inv

 

 

Ou seja, o intervalo de tempo medido em S é maior do que o medido em S’: o tempo se dilatou: um relógio em movimento em relação a um referencial S parece se atrasar em relação aos relógios fixos.

 

 

Espaço-tempo (ET) de Minkowski

 

 

O matemático Herman Minkowski desenvolveu o arcabouço matemático mais utilizado na teoria da Relatividade Especial (RE) de Einstein, por volta de 1908.

 

O ET de Minkowski é plano (como requer a RE) e o tempo é tratado como uma coordenada adicional. As coordenadas então são:

 

 

Grandezas vetoriais no ET de Minkowski são os “tetravetores”ou 4-vetores, descritos por 4 componentes num certo RI.  Os 4-vetores são representados por letras maiúsculas: . Ex:

    

 

nos referenciais S e S', respectivamente.

 

No ET de Minkowski, o elemento de linha ou  é dado por:

 

 

Na notação de Einstein:

 

, onde é o tensor da métrica:

 

 

O produto escalar neste ET é definido como:

 

 

As grandezas escalares possuem o mesmo valor em qualquer RI. Diz-se também que os produtos escalares são invariantes.