FIS02012 - Cosmologia e Relatividade

Profa. Thaisa Storchi Bergmann

 

Bibliografia: baseado no capítulo 9 do livro de Barbara Ryden

 

 

A Radiação Cósmica de Fundo

 

Num comprimento de onda λ de alguns mm, o Universo é uniformemente brilhante, a uma temperatura de corpo negro de 2,725 K – que corresponde à radiação cósmica de fundo (CMB). Se Olbers tivesse um olho sensível a este λ, não teria formulado seu paradoxo. Só que a radiação não corresponde à temperatura superficial das estrelas (milhares de K), mas a esta temperatura bem baixa de T = 2,725 K.

Já vimos que a densidade de energia na radiação de fundo é somente:

 

 

 

Mas como a energia média por fóton é pequena (6,34 x 10-4 eV), a densidade de fótons é grande:

 

 

 

Comparemos esta densidade com a de bárions:

 

 

 

A densidade de energia em bárions é ~ 800 vezes maior do que na radiação de fundo, mas, como a energia média por bárions é muito grande (~939 MeV), a densidade de bárions é muito menor do que a de fótons da radiação de fundo:

 

 

 

A razão entre a densidade de bárions e de fótons da radiação de fundo é

 

 

 

O número de fótons é dois bilhões de vezes o de bárions no Universo.

 

1)   Observação da CMB

 

Arno Penzias e Robert Wilson, radioastrônomos trabalhando nos laboratórios Bell, descobriram-na por acaso, observando com uma antena de rádio no λ = 7,35 cm, um sinal que vinha de todas as direções do céu. Pensaram que era ruído, até entrarem em contato com cosmologistas da Universidade de Princeton que haviam predito a existência da radiação de fundo, se o Universo tivesse, realmente, seu início num estado quente e denso.

 

O pico da radiação de fundo ocorre em λ ≈ 2mm, bem menor do que o λ = 7,35 cm no qual Penzias e Wilson fizeram sua observação (ou seja, eles observaram uma parte longe do pico da Planckeana – a distribuição de energia de corpo negro). É que as moléculas de água da atmosfera absorvem a radiação com λ ≤ 3 mm.

 

O espectro de corpo negro da radiação de fundo foi observado em vários λ´s pela primeira vez pelo satélite COBE (COsmic Background Explorer), que orbita acima da atmosfera, lançado em 1989. Os três principais resultados das medidas feitas com o COBE são:

 

1) Em qualquer posição do céu, o espectro da radiação de fundo é muito próximo ao de um corpo negro ideal com desvio menor do que 10-4.

 

2) Há uma “distorção de dipolo”: em metade do céu o espectro da radiação de fundo está um pouco “blueshifted” e na outra metade, um pouco “redshifted”: resultado de um movimento do COBE relativo a um sistema de referência em que a radiação de fundo está “em repouso”. ”. Para corrigir por este efeito, é preciso fazer as seguintes correções no mapa observado:

    2a) pelo movimento do COBE em torno da Terra ( ~ 8 km/s);

    2b) movimento da Terra em torno do Sol ( ~ 30 km/s);

    2c) movimento do Sol em torno do centro da Via Láctea ( ~ 220 km/s);

    2d) movimento orbital da Via Láctea no Grupo Local ( ~ 80 km/s).

    2e) Depois de fazer estas correções, conclui-se ainda que o Grupo Local está se movendo na direção do Aglomerado de Virgem, a maior concentração de matéria do Universo Local, e que o Aglomerado de Virgem, por sua vez, está sendo acelerado na direção do superaglomerado de Hydra-Centauro, com velocidade combinada dos dois efeitos de 630±20 km/s = 0,0021c: principal causador do dipolo observado na radiação de fundo.

 

3)            Após subtração do efeito de dipolo restam flutuações de temperatura, expressas como:

 

 

Onde <T> é a temperatura média (2,725K).

 

As medidas do COBE deram um valor para a flutuação quadrática média de:

 

 

 

 

Após excluir a emissão do plano galáctico, que não vem da radiação de fundo, o resultado indica grande isotropia na radiação de fundo. A observada isotropia da radiação de fundo e o fato de ela ter um espectro de corpo negro dão um forte suporte ao modelo de Big Bang quente do Universo.

 

2)   A Recombinação e o Desacoplamento

 

Para entender a origem da radiação de fundo, temos que entender a passagem do estado de plasma completamente ionizado para o de gás neutro da matéria bariônica do Universo. Três épocas muito próximas no tempo podem ser distinguidas:

 

1) Época da “recombinação”: quando a matéria passa de ionizada a neutra. Define-se como sendo o instante em que a densidade de íons é igual à densidade de átomos neutros. (Observação: pode-se argumentar que esta é a época da “combinação”, pois é a primeira vez que os elétrons se combinam com os núcleos, portanto dizer “recombinação” não estaria correto).

 

2) Época do “desacoplamento dos fótons”: instante em que os fótons deixam de interagir com os elétrons, e o Universo se torna transparente. Quantitativamente, é o instante em que a taxa de espalhamento de fótons por elétrons se torna menor que a taxa de expansão do Universo (que é o parâmetro de Hubble).

 

3) Época do último espalhamento: tempo em que um fóton típico da radiação de fundo sofre seu último espalhamento por um elétron.

 

Vamos considerar a seguinte simplificação: A matéria bariônica do Universo consistindo somente de H na época da recombinação. Grau de ionização do Universo pode então ser expresso como:

 

 

 

 

onde: np = densidade de prótons, ne = densidade de elétrons, nH = densidade de átomos neutros e a última igualdade resulta da observação de que o Universo é neutro. O intervalo de valores de X é 0 ≤ X ≤ 1 ( 0 = completamente neutro e 1 = completamente ionizado)

 

Processo de ionização:

 

 

 

 

Recombinação:

 

 

 

O valor de X vai depender do balanço entre fotoionização e recombinação.

 

Consideremos uma época antes da recombinação, por exemplo, quando a = 10-5 (z = 105). No Modelo Padrão, isto corresponde a uma idade de somente 70 anos para o Universo.

 

A Temperatura da radiação de fundo era:

 

                                                                       

 

A energia média por fóton era:

 

h <ν> ≈ 2,7kT ≈ 60eV (>>Q=13,6 eV, o potencial de ionização do H); bem maior que a necessária para ionizar o H; considerando, também, que havia 2 x 109 fótons para cada bárion, os átomos de H eventualmente formados eram logo destruídos e X ≈ 1.

 

Nesta época, a interação dominante era o espalhamento Thompson dos fótons pelos elétrons, cuja seção de choque é   σe = 6,65 x 10-29 m2. O livre caminho médio de um fóton era:

 

 

 

E a taxa de interação era:

 

 

 

Podemos obter ne da época considerando que ne = nbar;

 

 

 

 

Ou seja: 3x por semana!!!

 

Os fótons ficam “acoplados” com os elétrons enquanto Γ > H (taxa de interações maior que taxa de expansão do Universo), o que é equivalente a dizer que o livre caminho médio é menor que a distância de Hubble: l < c / H. Enquanto esta condição for obedecida, os fótons, elétrons e prótons ficam em equilíbrio térmico e têm a mesma temperatura T. Quando Γ se tornar menor do que  H, os elétrons se afastam mais rapidamente do que ocorre a interação com os fótons, provocando o desacoplamento entre os mesmos tornando o Universo transparente.

 

Durante a fase de domínio da radiação (a menor do que arm), a equação de Friedmann era:

 

 

 

 

Para a = 10-5, H = 2,1 x 10-10 s-1 que é muito menor do que Γ, portanto nesta época os fótons estavam acoplados aos elétrons e prótons (o Universo era opaco).

 

3)   A Física da Recombinação

 

Temperatura aproximada no momento da recombinação: pode ser estimada considerando que nesta época a energia média por fóton deveria ser da ordem do potencial de ionização do H, Q=13,6 eV:

 

 

 

 

Entretanto, a radiação de fundo não possui somente fótons com a energia média (a distribuição de energia é a de um corpo negro), contendo também fótons com energias bem mais altas. Assim, mesmo a temperaturas bem mais baixas que esta haverá fótons ionizantes.

 

Para calcular a época da recombinação é mais interessante utilizarmos o valor de X, o grau de ionização do Universo. Para podermos calcular X em função de T, precisamos usar mecânica estatística, em particular a equação de Saha, que dá a relação entre o no. de átomos neutros, ionizados e os elétrons no equilíbrio de ionização (lembre que estamos usando uma aproximação em que o Universo só contém hidrogênio):

 

 

 

Substituindo, da definição de X:

 

 

 

 

e fazendo ne = np (neutralidade),

 

 

 

 

Da definição de   e  , conclui-se que:

 

 

 

Do espectro de corpo negro para ng, podemos obter:

 

 

 

Substituindo na equação acima para :

 

 

 

 

 

Equação do segundo grau cuja raiz positiva é:

 

 

 

Definindo o momento da recombinação como sendo aquele em que :

 

 

 

Portanto,

 

 

 

 

                                                                         

Sendo Q = 13,6 eV e η = 5 x 10 -10 , encontra-se que:

 

 

 

 

Bem menor que os 60000 K estimados anteriormente,

 

O redshift z correspondente será:

 

 

                                                                         

 

A idade correspondente do Universo, no Modelo Padrão é: Trec = 240000 anos.

 

Exercício: Demonstrar.

 

A recombinação não foi um processo instantâneo; demorou milhares de anos.

 

Exercício: Mostre que X = 0,9 (90% de ionização) ocorreu em z = 1475 e que X = 0,1 (90% de neutralidade) ocorreu em z = 1255. No Modelo Padrão, o intervalo de tempo transcorrido neste processo foi de Δt  ≈ 70000 anos.

 

Agora, quando ocorre o desacoplamento matéria-radiação? Vem logo depois da recombinação, quando o número de elétrons livres cai rapidamente. O desacoplamento matéria-radiação ocorre quando o livre caminho médio do fóton é maior do que a distância de Hubble c/H:

 

 

 

Ou seja, a taxa de espalhamento por fótons é menor que a taxa de expansão do Universo.

 

O desacoplamento se dá quando estas taxas se igualam:

 

                                                                       

 

Assim, logo depois da recombinação, quando o número de elétrons livres cai rapidamente: A taxa de espalhamento por fótons é dada por:

 

 

Portanto,

 

 

 

Na época do desacoplamento, o Universo é dominado pela matéria, e podemos usar a equação de Friedmann na forma:

 

 

 

Que é a  taxa de expansão do Universo.

 

O redshift correspondente ao desacoplamento é:

 

 

 

 

 

 

Usando-se a função X(z) (Fig. 4 do livro de Barbara Ryden) chega-se a zdes=1130. O valor mais exato para zdes é 1100 porque assumimos que a reação de ionização/recombinação ocorre no equilíbrio e isto não é bem verdade.

 

Exercício: Qual é a temperatura correspondente a zdes?

 

 

A Superfície de Último Espalhamento

 

O fóton da radiação de fundo que chega até nós num tempo t0 sofreu um número de espalhamentos desde um tempo t dado por:

 

 

Esta equação define a profundidade ótica.

 

Define-se o tempo t para o qual  como tempo do último espalhamento (intervalo de tempo transcorrido desde o último espalhamento)

 

Mudando a variável de integração para “a”:

 

 

t→a;  t0→a=1:

 

                                                                       

Fazendo:

 

 

Se a = 1→z = 0; se a = a→z = z, logo:

 

 

 

Sendo:

 

 

 

Teremos:

 

 

 

Substituindo a função para X(z) e fazendo-se , resulta que o z para o último espalhamento é da ordem do z para o desacoplamento:

 

 

 

Na verdade, os fótons da radiação de fundo não sofrem o último espalhamento todos ao mesmo tempo; melhor seria chamar “camada de último espalhamento”, que tem uma pequena “espessura” ou “profundidade” em z (p.ex. vai de z ≈ 1200 até z ≈ 1000).

 

Tabela1: Eventos relevantes ao redor da época da recombinação

 

z

T (K)

t (M anos)

t (anos)

Eq. mat./rad.

3570

9730

0,047

  47000

Recombinação

1370

3740

0,240

240000

Desacoplamento

1100

3000

0,350

350000

Último Espalhamento

1100

3000

0,350

350000

 

A época do desacoplamento marca um momento importante na evolução do Universo: o fluido único fóton-bárion se separa em dois, um de bárions e outro de fótons, e a partir deste momento os bárions estão “livres” da constante interação com os fótons e podem colapsar sob a força da gravidade entre eles, dando origem às primeiras estruturas do Universo.

 

4)   Flutuações de Temperatura na Radiação de Fundo

 

Após subtração da distorção de dipolo da radiação de fundo, sobram flutuações de temperatura que refletem o tamanho das flutuações de densidade em z ≈ 1100. O tamanho angular destas flutuações de temperatura está relacionado ao seu tamanho físico através da relação:

 

 

 

 

Como a superfície de último espalhamento está a um redshift z = 1100 >> 1, usa-se a relação:

 

 

Para:

 

 

Portanto,

 

 

 

 

No Modelo Padrão, a distância do horizonte é dhor(t0) ≈ 14000 Mpc, de forma que dA(z = 1100) ≈ 13 Mpc.

 

Então,  o tamanho próprio das estruturas de tamanho angular δθ em z = 1100 é:

 

 

 

 

Observa-se que as menores flutuações encontradas na radiação de fundo têm δθ ≈ 0,17º, l = 0,04 Mpc, que na época atual corresponde a l0 = l(1+z) = 40 Mpc, que é o tamanho típico dos superaglomerados de galáxias.

 

Uma descrição matemática para as flutuações de temperatura observadas na radiação de fundo em função dos ângulos q e f é dada por:

 

 

 

 

onde Ylm(θ,φ) são os harmônicos esféricos. Esta descrição matemática é útil devido ao fato de que vemos a radiação de fundo vindo de uma superfície esférica.

 

Propriedade estatística importante de δT / T: a função de correlação C(θ), definida como:

                                                                       

 

 

 

Onde  e  indicam direções separadas por um ângulo θ no céu. Quanto maior C(θ), mais correlacionadas estarão as flutuações de temperatura.

Substituindo as expressões de δT / T acima por sua expansão em harmônicos esféricos resulta:

 

 

 

onde Pl são os polinômios de Legendre, o que significa que a função de correlação pode ser decomposta em “momentos de multipolo” Cl. Os valores de Cl serão não nulos para separações angulares maiores do que a resolução do instrumento.

 

Significado de Cl: é uma medida das flutuações de temperatura em escalas angulares δθ ≈ 180º/l. O termo de monopolo (l = 0) d’;a a temperatura média; o termo de dipolo (l = 1) é devido ao nosso movimento em relação à radiação de fundo (em direção a Virgo + movimento de Virgo em direção a Hydra-Centauro); os termos para l ≥ 2 são os de maior interesse, pois revelam os tamanhos das flutuações de T na superfície de último espalhamento.

O gráfico de  vs l  (Fig. 9.6 do livro de Barbara Ryden) mostra o comportamento das flutuações de temperatura em função de l. Nota-se um pico para l ≈ 180º correspondente a δθ ~ 1º, e  l ≈ 0,22 Mpc.

 

A Causa das Flutuações de Temperatura.

 

É interessante constatar que este máximo corresponde à distância de Hubble na época do último espalhamento:

 

 

 

Então θ ≈ 1º ≈ θH(esp), o tamanho angular correspondente a distância de Hubble na época.

 

 

A distância de Hubble corresponde aproximadamente à distância do horizonte na época, que é a máxima distância dentro da qual há comunicação através de fótons (horizonte causal). Para θ > θH (l<180°) a origem das flutuações de T é diferente daquelas com θ < θH (l>180°).

 

Origem das Flutuações de Temperatura com θ > θH:

 

São originadas do efeito gravitacional de flutuações de densidade primordiais na distribuição da matéria escura não bariônica. Não podem ter a ver com os fótons porque fótons não tiveram tempo de percorrer mais do que 0,22 Mpc ou θ ≈ 1º até a época do desacoplamento ou último espalhamento:

 

Densidade de energia na matéria escura não-bariônica na época do último espalhamento:

 

 

Densidade de energia em matéria bariônica:

 

 

 

Densidade de energia em fótons:

 

 

 A densidade de energia escura, que é a mesma que a atual (0.7 x 5200 MeV m-3) era totalmente desprezível na  época.

 

Então, na época do último espalhamento, εdm > εγ > εbar. Portanto, a matéria escura não-bariônica dominava a densidade de energia na época do último espalhamento.

 

Assumindo uma expressão para a densidade de energia em matéria escura:

 

 

Sendo , o valor médio, e  a variação.

 

Numa aproximação Newtoniana, uma componente variável espacialmente da densidade de energia δε vai originar uma variação no potencial gravitacional, que obedece à equação de Poisson:

 

 

Onde  F  é o potencial gravitacional.

 

Flutuações de densidade levam necessariamente a flutuações no potencial gravitacional.

 

Um fóton que esteja num mínimo de potencial no seu último espalhamento, deverá perder energia para escapar do potencial e será “redshifted”. Por outro lado, um fóton que estiver num máximo do potencial vai ganhar energia ao cair num poço de potencial e vai ser “blueshifted”. Portanto, as manchas frias (redshifted) no mapa da radiação de fundo correspondem às regiões de mínimo de δφ e as manchas mais quentes (blueshifted) correspondem às regiões de máximo do δφ. Os cientistas Sachs & Wolfe em 1967 obtiveram uma relação entre δT e θΦ.

 

 

 

Chama-se Efeito Sachs-Wolfe a criação de flutuações de T devido a flutuações de Φ. As flutuações de T para θ > θH ≈ 1°     fornecem um mapa de δφ da época do último espalhamento.

 

Origem das Flutuações de Temperatura com θ < θH

 

Dentro de θH os fótons e bárions têm um papel. Antes do desacoplamento entre os fótons e bárions, estes formam um “fluído” fóton-bárion, que se move sob a ação gravitacional da matéria escura, uma vez que a densidade de energia do fluido é ≈ 1/3 da densidade de energia da matéria escura. Se o fluido fóton-bárion se aproxima de um poço de potencial da matéria escura, ele vai cair dentro do potencial. Ao ser comprimido pela gravidade, a pressão do fluido aumenta. Até que esta pressão provoca uma expansão do fluido; a pressão então cai e daí a força gravitacional provoca uma nova compressão e assim se originam as chamadas “oscilações acústicas”, uma vez que representam uma espécie de onda estacionária no fluido fóton-bárion. Isto acontece até o desacoplamento dos fótons e bárions. No momento do desacoplamento, o fluído pode estar na fase de compressão máxima e os fótons vão ser “mais quentes” que a média; por outro lado, para a parte do fluído que está na máxima expansão, os fótons vão estar “mais frios” que a média. Se o fluído fóton-bárion está no processo de expansão ou contração durante o desacoplamento, o efeito Doppler vai provocar que os fótons liberados sejam também “mais frios” ou “mais quentes” que a média.

 

Interpretação do pico mais alto na curva  observado em , ou  na Fig. 9.6 (Barbara Ryden): representa os poços de potencial dentro dos quais o fluído fóton-bárion atingiu a máxima compressão na época do último espalhamento. Estes poços de potencial tinham tamanhos próprios .

 

A localização e amplitude do pico mais alto na Fig.9.6 (Barbara Ryden) é um diagnóstico cosmológico. O tamanho angular θ de um objeto de tamanho próprio conhecido depende da curvatura do Universo. Para um Universo de curvatura negativa, o tamanho angular é menor do que num Universo de curvatura positiva.

 

A Fig. 9.7 (Barbara Ryden) mostra os valores de  e  resultantes dos dados do COBE para a radiação de fundo. A intersecção destes valores com os provenientes dos resultados de medidas de magnitudes aparentes de Supernova tipo 1a conduzem aos resultados: ,  e .

 

A amplitude do pico depende da velocidade do som no fluido fóton-bárion logo antes do desacoplamento:

 

 

Ou seja, depende do parâmetro da equação de estado ωfb que, por sua vez, depende da razão  e, portanto, da densidade de bárions no Universo. A análise detalhada da curva  resulta em: