FIS02012 - Cosmologia e Relatividade
Bibliografia:
baseado no capítulo 11 do livro de Barbara Ryden
.3) A Solução da Inflação
Em 1981 Alan Guth
propôs a idéia de que a solução dos três problemas: o da planaridade, do
horizonte e dos monopolos magnéticos, seria um período de expansão acelerada
bem cedo na história do Universo (por exemplo, 10-36 s!), ou seja,
com
.
Partindo da
equação da aceleração:
![]()
Concluímos que
implica em P < -
ε / 3. Como P = ωε, em conseqüência ω < - 1 / 3. A forma
mais usual da teoria da inflação postula que ω = - 1 → o que é
idêntico ao da constante cosmológica. Assume-se, então, que o Universo na época
era dominado por uma outra constante cosmológica Λi. Podemos
aplicar, então, o mesmo formalismo que obtivemos para a constante cosmológica
no Cap. 4 (Barbara Ryden):
![]()

O que resulta, na
época dominada pela inflação em:
![]()
Já que outros termos da equação de Friedmann são
desprezíveis para esta época.
Ou seja, a
constante de Hubble Hi era constante durante a inflação e igual a
:



Assumindo que a
inflação durou desde ti (início da inflação) até tf
(fim da inflação), e considerando que a época era dentro da era da radiação
para a qual
, então:
![]()

Então, entre o
início e o fim da inflação, o fator de escala cresceu:

Em uma das
formulações do modelo de inflação, ela teria começado no tempo da GUT
(Unificação das forças forte e eletrofraca) em ti ≈ tGUT ≈
10-36s , quando o parâmetro de Hubble era Hi ≈ t-1GUT
= 1036 s-1 e acabou em tf ≈ 10-34
s, ou seja, durou ~100 tempos de Hubble:

Ou seja, o
Universo aumentou 1043 vezes de tamanho em 10-34
segundos!
O valor da
constante cosmológica no tempo da inflação Λi era
“infinitamente” maior do que a constante cosmológica que conhecemos atualmente
dentro do Modelo Padrão.
, portanto a densidade de energia correspondente será (eq.
4.65 Barbara Ryden):

Enquanto que:
![]()
Solução do problema da planaridade
A partir da
expressão seguinte da equação de Friedmann:

temos uma
expressão para a diferença em relação à planaridade (Ω(t) = 1).
Na época da
inflação:
![]()
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A diferença entre Ω(t) e 1 decresce
exponencialmente com o tempo. Para:
![]()
![]()
Então, mesmo que
no início o Universo tivesse uma curvatura tal que |1 - Ω(ti)| > 1 ou < 1, ele ficou extremamente plano após a inflação,
quando o fator de escala cresceu de um fator e100.
Solução do problema do Horizonte
Antes da inflação o Universo era dominado pela
radiação. Então, a distância do horizonte quando começou a inflação era:

Quando terminou a inflação, a distância do
horizonte era:

Simplificando ai do numerador com do
denominador dentro das integrais e resolvendo-as:


Fazendo:
![]()
![]()
![]()
Para ti = 10-36 s; Hi
≈ 1036 s-1 e N ≈ 100; logo antes da inflação a
distância do horizonte era:
![]()
E logo depois da inflação fica:

![]()
Se fôssemos calcular a velocidade correspondente
do horizonte:

Ou seja, a
inflação fez crescer a distância do horizonte de um fator ~ e100 .
Então, lembrando que a distância do horizonte na superfície de último
espalhamento era 0,4 Mpc, se multiplicarmos este valor por e100
obtemos ~ 1043 Mpc, o que permitiria que toda a superfície de último
espalhamento estivesse em contato.