FIS02012 - Cosmologia e Relatividade
Bibliografia:
baseado no capítulo 11 do livro de Barbara Ryden
A Inflação
1) O Problema da Planaridade:
Tomando a equação
de Friedmann na forma da equação 4.29 (Barbara Ryden):

para um tempo t
qualquer.
Para o tempo atual
t0:


Se agora
considerarmos a época em que o Universo era dominado pela radiação e matéria (t
<< tmΛ ≈ 10 Ganos), podemos usar a equação de
Friedmann na forma:



Sabe-se que as observações atuais sugerem Ω0
= 1; se considerarmos as margens de erro podemos concluir que:
![]()
Desta forma, para
a = 10-3, por exemplo:

E para a = 10-2:

O valor de [1 –
Ω(t)] vai crescendo até o tempo atual com (1 - Ω0) = 0,2,
mas, como demonstrado acima, à medida que voltamos no tempo, para “a” menor, (1
– Ω) vai diminuindo. Se chegarmos ao tempo dominado pela radiação, com a
< ar,m , por exemplo, na
época da nucleossíntese , sendo anuc
≈ 3,6 x 10-8 :

Generalizando,
podemos dizer que, na época dominada pela matéria:
![]()
![]()
cresce com o
tempo.
Na época dominada
pela radiação:
![]()
cresce também com
o tempo
Ou seja, quando
voltamos no tempo, a diferença [1 – Ω(t)] só tende a diminuir em relação a
(1 - Ω0). É sempre uma fração cada vez menor de (1 - Ω0),
ou seja, o Universo fica cada vez mais plano à medida que voltamos no tempo. Na época de Planck, ap ≈
2x10-32:

E podemos concluir
que, no Universo primordial o parâmetro de densidade era essencialmente 1, em
cerca de uma parte em 1060 ou 1059! Podemos inverter a
equação acima e dizer que, se a diferença no início fosse
, ou seja, 1 parte em 1030, então
, ou seja, Ω0 seria enorme se o Universo não
fosse plano.!
Assim, podemos
concluir que Ω(t) no início do
Universo era 1: o Universo era plano! Por quê? Este é o chamado Problema da
Planaridade.
2) O Problema do Horizonte
Se calcularmos a
distância (ou raio) do horizonte na época do último espalhamento, usando:



![]()
![]()
Ou, considerando que a idade de um Universo
dominado pela matéria é:

Para o caso de um Universo dominado pela
matéria, na época da recombinação, sendo Ωm,0 = 0,3, a equação
de Friedmann fica:

![]()
A distância do
horizonte era:

A distância de
diâmetro angular é:

Assim, pontos na
superfície de último espalhamento que se encontravam em um raio equivalente à
distância do horizonte, têm uma separação angular de:

Portanto, na
superfície de último espalhamento, o horizonte da época corresponde a um
diâmetro angular de somente 2°! Pontos
na superfície de último espalhamento separados por uma distância angular maior que
esta estavam fora de contato causal entre si. Entretanto, vimos que δT / T
é muito pequeno (~10-5) em escalas angulares maiores do que 2°. Como
é que regiões sem contato causal entre si têm propriedades tão semelhantes?
Este é o chamado Problema do Horizonte.
Para entender
melhor este problema, consideremos que a superfície de último espalhamento (a
superfície de onde vem a radiação de fundo) pode ser subdividida em cerca de
~20.000 “pedaços” com diâmetro angular θ = 2°. No chamado “Modelo do
Big-Bang quente (Hot Big-Bang Scenario)” vemos que o centro de cada uma destas
regiões estava fora de contato causal com as outras regiões e não pode ser
coincidência que todas sejam semelhantes entre si nas suas propriedades –
deverá ter havido algum contato causal antes. Barbara Ryden propõe uma
analogia: numa festa com 20.000 convidados, em que se solicita que cada um
traga um prato, dentro de 105 possibilidades é totalmente improvável
que todos tragam o mesmo prato. Isto somente poderá ocorrer se houver contato
prévio entre os convidados combinando que todos trariam aquele mesmo prato.