Em 12 de setembro de 2007, os cientistas de Mauna Kea talvez tenham resolvido a discrepância entre o número de galáxias extremamente pequenas e fracas preditas a existir próximo a Via Láctea e o número atualmente observado. Numa tentativa de resolver o problema da Galáxia Anã Perdida, dois astrônomos usaram o observatório W.M.Keck para estudar a população das galáxias escuras mais leves conhecidas, cada uma contendo 99% de Matéria Escura. Os achados recentes sugerem que o problema da Galaxia Anã Perdida não é tão severo quanto se pensava antes e talvez tenha sido resolvido completamente.
"Parece que galáxias ultra-fracas e muito pequenas são mais abundantes do que pensavamos..." diz Dr. Marla Geha, co-autora deste estudo e participante do instituto Herzberg de Astrofísica no Canadá. Ela ainda diz "Se você tivesse me perguntado ano passado se existiriam galáxias tão pequenas e escuras eu diria que não, estou espantada que galáxias tão pequenas e dominadas pela Matéria Escura tenham sido descobertas.
O quebra cabeça da Galáxia Anã Perdida surge da predição do modelo da "Matéria Escura Fria" o qual explica o crescimento e evolução do universo. Ele prediz que galáxias grandes como a Via Láctea deveriam ser rodiadas por uma centena de pequenas galáxias conhecidas como Galaxias Anãs. No entanto, até recentemente, somente 11 destas que orbitam a Via Láctea eram conhecidas.
Para explicar essa grande diferença, teóricos sugeriram que enquanto centenas de Galáxias Anãs devem existir de acordo com o modelo, a maioria talvez tenha a presença de estrelas. Se elas realmente tiverem, elas seriam "preenchidas" quase inteiramente por Matéria Escura. Mas provar a existência de um grande número destas quase invisíveis galáxias parecia ser um problema, até agora.
Dr. Josh Simon (Pós-doutorado no Instituto de Tecnologia da Califórnia) e Dr. Geha usaram o telescópio de 10m Keck II com tecnologia DEIMOS de espectrografia para conduzir os estudos das oito novas Galaxias Anãs que foram observadas primeiramente pelo Sloan Digital Sky Survey. Os resultados permitiram a dupla de pesquisadores calcularem precisamente a massa total de cada galáxia. Para a surpresa deles, cada um dos sistemas medidos era em média 10.000 vezes menor do que qualquer outro medido anteriormente na Via Láctea.
"A formação de tais pequenas galáxias não é bem entendida ainda de uma perspectiva teórica" diz Dr. Simon.
"Explicar como estrelas se formam dentro destas pequenas notáveis galáxias é difícil, além disso, é difícil predizer exatamente quantas Galáxias Anãs nós deveríamos encontrar ao redor da Via Láctea. Nosso trabalho, pelo menos, diminui mais ainda a lacuna entre a Teoria da Matéria Escura Fria e as observações da mesma, através do estudo e da crescente descoberta destas galáxias que podem ainda serem menores do que eles pensavam ser possível.”, diz o mesmo.
Numerosas e repetidas medidas das 814 estrelas nas oito Galáxias Anãs foram obtidas nesse telescópio. As estrelas achadas parecem se mover muito mais lentamente que quaisquer outras estrelas nas galáxias conhecidas (movem se cerca de 4 a 7km/s). Em comparação, o sol orbita o centro da Via Láctea a velocidade de 220km/s. Contudo, astrônomos mediram velocidades precisas para de 18 a 214 estrelas existentes em cada galáxia, 3x mais estrelas por galáxias do que qualquer estudo anterior tenha medido.
Alguns parâmetros da Teoria da Matéria Escura Fria podem agora ser atualizados através desse estudo, para corresponder as condições observadas na nossa galáxia local. Baseado nas massas medidas para as novas Galáxias Anãs os doutores Simon e Geha concluíram que a forte radiação ultravioleta proveniente pelas primeiras estrelas, as quais foram formadas apenas umas centenas de milhões de anos após o Big Bang, talvez tenham fundido todo o gás Hidrogênio fora das Galáxias Anãs que estavam se formando naquela época. A perda do gás impediu as galáxias de criarem novas estrelas, deixando elas bem fracas visivelmente ou em muitos dos casos praticamente escuras. Quando este efeito é incluído nos modelos teóricos, o número esperado e observado de Galaxias Anãs fica de acordo com o a realidade.
"Uma das implicações dos nossos resultados é que deve existir nas vizinhanças da Via Láctea pelo menos algumas centenas de galáxias completamente escuras.", diz Dr. Geha. "Se o modelo da Matéria Escura Fria estiver correto, elas têm que estar que estar presentes lá fora e o próximo desafio para os astrônomos vai ser encontrar um modo de detectar a presença delas."
Por causa do Sloan Digital Sky Survey só cobrir 25% do céu, exames futuros do restante do céu esperam descobrir pelo menos umas 50 novas Galáxias Anãs dominadas pela Matéria Escura orbitando a Via Láctea. Novos satélites em Maui estão também em construção com o propósito de serem utilizados nessa observação.