A Prova
1) O Lagrangeano tem forma arbitrária L(ẋ1, ẋ2, x2-x1, t) e como tal deve ser interpretado. Em particular, não deveria ser usada a forma cartesiana L = m1 ẋ12/2 + m2 ẋ22/2 + U(x1,x2,t).
Dadas então as transformações de coordenadas, X=x1+x2 e y=x2-x1, a diferença x2-x1 presente no Lagrangeano original automaticamente se converte em y, e a nova coordenada X fica ausente. Potanto, o momentum ∂L/∂Ẋ é conservado. O passo a seguir é escrever ∂L/∂Ẋ em termos de regra da cadeia para diferenciação de funções de funções. Primeiro, invertemos a transformação de coordenadas para escrever x2=(X+y)/2 e x1=(X-y)/2. A seguir, escrevemos
pX=∂L/∂Ẋ=∂L/∂ẋ1 ∂ẋ1/∂Ẋ+∂L/∂ẋ2 ∂ẋ2/∂Ẋ = 1/2 (p1+p2).
2) O primeiro passo da segunda questão é usar as transformações de coordenadas e escrever o Lagrangeano nestas novas coordenadas. O segundo passo é o de escrever o Hamiltoniano nestas novas coordenadas, cuidando para expressar este Hamiltoniano em termos dos momenta e não em termos de velocidades Ẋ e ẏ, como muitas pessoas fizeram. A teoria Hamiltoniana e as equações canônicas só tem sentido formal no espaço (q,p) e não no espaço (q,q̇)! Apesar disto, os sacrílegos que usaram (q,q̇) como argumento do Hamiltoniano, mas que mantiveram uma certa consistência de cálculo, não foram interiamente punidos. H=pX2 /(4 m) + py2/m+қ/2 y2 é a forma correta do Hamiltoniano.
O terceiro passo era provar que pX era constante, decorrência de que ṗX=-∂H/∂X e do fato de que X não está presente no Hamiltoniano, e provar que h=py2/m+қ/2 y2 é constante. Esta última parte referente a prova de que h é constante deveria ter sido feita explícitamente. Bastaria calcular ḣ=2 py ṗy /m + қ y ẏ, usando as equações canônicas ṗy = -∂H/∂y = -қ y e ẏ = +∂H/∂py = 2 py/m. Isto resulta em ḣ=0.
Para a última parte do problema o caminho mais fácil é usar o fato de que h é uma constante. Como condição inicial ẏ=- v0 o que, de acordo com a equação canônica para y nos diz que como condição inicial temos py=mv0/2, além de y=0 na alegada posição de equilíbrio. Como condição final limiar, temos y=-l0 e py=0 no momento da colisão. Portanto, usando a constância de h, ficamos com
mv02/4=қ/2 l02,
de onde sai o resultado final. Uma outra alternativa correta seria resolver (corretamente) a equação diferencial do oscilador harmônico em y, opção inteiramente válida adotada por algumas pessoas.